E eu fui pra Vancouver. Vancouver não é a capital da bela British Columbia. A capital da British Columbia é Victoria (onde eu pousei antes de ir pra Bamfield). Porém, Vancouver é a cidade mais importante da costa oeste canadense. Aliás, uma das cidades mais importantes do Canadá. Tão importante que até sediou os últimos jogos olímpicos de inverno. Aliás, mesmo passados três-quatro meses, Olimpíada de Inverno ainda marca presença forte na cidade.
Por que Vancouver é tão bonito? Porque ela lembra o Rio.
Ela lembra o Rio porque é um lugar que tem o mar de um lado e a montanha do outro. É um lugar onde você ainda observa muito verde. É um lugar onde as pessoas estão andando na rua o tempo todo. Uma cidade viva e feliz. As praias não são tão maravilhosas. A areia é escura e é só uma pequena faixa e a água é provavelmente poluída e, com certeza, gelada. Mas dizem que no verão as pessoas ficam sentadas na areia e algumas até arriscam uma nadada ou outra.
O centro da cidade é lindo. O hostel onde eu fiquei fica numa ruazinha pequena e cheia de casas estilo anos 40-50. Muitas das casas possuem um jardinzinho todo florido (Deus salve a primavera!!!). As ruas são largas e com calçadas bem amplas, como se você estivesse andando em Ipanema ou Leblon. Muitos prédios novos com uma arquitetura bem bonita e muitos prédios antigos com arquitetura clássica.
Andando pelo centro eu visitei o estádio do time de hockey de lá e passei em frente ao estádio onde foi a final do hockey nas olimpíadas. Por toda a cidade é possível avistar o monte Whistler, onde ocorreram as provas de eski. Mesmo com a cidade toda florida e com um belo brilho solar, o topo da montanha continua congelado. Um belo visual.
E imaginem o Rio de Janeiro com um sistema de transporte fantástico, onde os ônibus possuem conexão uns com os outros, as barcas saem com frequência e são super arrumadas, o metrô possui 4 linhas que se espalham pela cidade e levam até o aeroporto. Imaginem se no centro da cidade todos os tipos de transporte se encontrassem e fantasticamente os ônibus não soltassem uma poluição sequer (eles são elétricos). Imaginem o Rio sem violência, com as ruas limpas e sem avistar nenhuma favela? Mas não precisa tirar os mendigos e os pedintes não. Como toda cidade grande, Vancouver está cheio deles. Fiquei espantando, diga-se de passagem. Outro ponto que se assemelha bastante ao Rio é quantidade de sinais. Impressionante!!!
E uma vez nessa bela cidade eu fiz dois passeios turísticos. Na segunda-feira eu visitei uma ponte suspensa chamada Capilano Suspended Bridge. Foi quando eu andei de barca, pois essa atração turística fica do outro lado da baía. O lugar é lindo. A atração principal é atravessar uma ponte suspensa (daquelas de filme do Indiana Jones) de um lado ao outro de um canyon. A história da ponte é bem burguesa: uma família queria caçar do outro lado do rio, mas era muito difícil chegar lá. Como eles tinham dinheiro, construíram a maior ponte suspensa da costa oeste norte-americana. Depois deles caçarem bastante do outro lado, resolveram fazer daquilo um turismo. Começaram cobrando 10 centavos por cada pessoa que quisesse atravessar a ponte. Em 100 anos a inflação foi fantástica. Para entrar em Capilano tive que deixar 30 dólares na portaria... mas valeu a pena. Além da ponte, esse lugar é um parque que possui uma floresta bem preservada, completamente diferente da mata atlântica a que estou acostumado. As árvores são todas muito organizadas - tudo muito de primeiro mundo... hehehe... Deu pra tirar muitas fotos bonitas... (vejam no link que eu coloquei no fim do texto).
De tarde eu caminhei pelo centro da cidade e literalmente me perdi por lá. Fui parar numa Chinatown, depois caminhei até o lado oposto ao meu hostel, depois subi uma avenida gigantesca... enfim... depois de muito caminhar, encontrei o hostel e fui tomar um banho e botar a conversa em dia com a Fê. Depois de falar com ela, subi pro quarto e falei com um cara que tava quase dormindo. Ele era alemão (Nick) e a gente combinou de tomar uma cerveja. O cara é muito gente fina. Trabalhou no Canadá por 10 meses e estava finalmente voltando pra Alemanha. Conversamos bastante sobre a simplicidade da vida e sobre viagens. E conversamos sobre diários e como deixar a nossa impressão dos lugares que conhecemos, das pessoas que encontramos e das coisas que vivemos durante essas aventuras. Ele contou sobre o pai dele que vivia viajando de moto quando era mais novo e passou por várias experiências pela África. E os diários dele são o tesouro dele. E eu e ele ficamos desapontados com nós mesmos, pois estamos passando por uma super experiência e não estamos registrando em diários. Assim como eu, ele mantém um blog, mas não escreveu uma linha sequer em um diário. E ai, como resolução - depois de algumas cervejas, acreditem esse cara bebe muito! - nós decidimos que vamos escrever nos nossos diários..... heehhehe PODE APOSTAR TITI! Na manhã seguinte eu conversei com um senhor que estava no mesmo quarto que a gente. Ele já tem sem dúvida mais de 80 anos. Veio da Austrália para viajar de trem de Vancouver até Winnipeg. Uma viagem de mais de quatro dias. Mas ele estava muito animado pra isso. Parecia uma criança. Conversamos sobre futebol e ele falou que o Brasil ia ser campeão esse ano! Espero que a sabedoria desse senhor seja refletida nos pés daqueles que honrarão a camisa canarinho.
E na terça eu fui caminhar pelo Stanley Park. Por mais incrível que pareça, chuveu toda a manhã em "Rain"couver (Vancouver é uma das cidades que mais chove no Canadá, por isso leia a frase anterior com sarcasmo na entonação). Eu caminhei uns 5 ou 6 km no parque embaixo de chuva. Mas mesmo com muita chuva o parque é muito bonito. Em toda a orla (ele é uma "península" que entra mar a dentro) é possível encontrar bancos de praça dedicados a alguma pessoa falecida. E geralmente com alguma frase bem legal. Tipo "Não reclame da chuva. Pense em todos os pingos que estão errando você!", "Minha mãe adorava sentar aqui e admirar a bela paisagem de Vancouver"... Bela maneira de se fazer uma homenagem às pessoas que amaram aquele lugar. Agora eu imagino se fossem homenagear todo mundo que ama sentar naqueles banquinhos no calçadão de Copacabana... hehehe....
E depois de muito caminhar na chuva eu cheguei ao Aquário de Vancouver. Após deixar 28 dólares na recepção, eu entrei num mundo espetacular. O aquário, como todos deveriam ser, possui uma super estrutura. São diversos setores mostrando os mais diversos ecossistemas. Todos os tanques são enormes, permitindo aos organismos uma vida um tanto quanto confortável. Tem uma sessão da Amazônia onde um gigantesco pirarucu vive. Também tem um tanque onde tem tartarugas-marinhas e tubarões. Mas o que eu mais gosto e o que eu mais prestei atenção foram os invertebrados. Milhares de anêmonas dos mais diferentes tipos e tamanhos. Caranguejos, ostras e estrelas das mais variadas formas e cores. E o momento "fofuxo" foi quando eu vi os golfinhos, focas e quatro belugas ("baleias" brancas). Tudo muito organizado e passível de se gastar o dia inteiro. Mas eu tive que sair de lá.
Saí do aquário por volta das três da tarde e caminhei até o centro. Olhando no mapa pra não me perder de novo, consegui achar um McDonalds pra almoçar (acreditem, foi a terceira vez que eu comi no McDonalds desde que eu cheguei aqui). E quando eu estava na fila, vi um cara com a camisa do Cruzeiro. Como o São Paulo estava pra ganhar do Cruzeiro no dia seguinte, eu perguntei pro cara se ele achava que o Cruzeiro ia conseguir virar o placar. Aí a gente começou a conversar e passamos a tarde caminhando pelo centro da cidade de novo. Não me cansei de fazer isso... hahehehe... Daniel veio de Ouro Preto pra estudar inglês em Vancouver. E pelo que conversamos ele está aproveitando bastante. Quando deu umas 5 e pouca eu voltei no hostel e peguei minhas malas e fui caminhando até a estação do metro pra pegar o trem e ir pro aeroporto. A essa hora o sol já brilhava e tive até que pegar meus óculos-escuros. Ironias do destino...
E finalmente peguei o avião que decolou as 9 da noite com um belo por-do-sol e me trouxe de volta para a pacata cidade de Edmonton. Uma cidade pequena, planejada e plana. Mas que com a primavera está toda florida. Mas mesmo sendo primavera e depois de uma semana que chegou a ter dias com 30 graus, sexta e sábado chuveu e caiu um pouquinho de neve. :)
As "férias" de dois dias acabaram e desde lá eu venho trabalhando. Fui todos os dias no laboratório (incluindo sábado, domingo e hoje - que é um feriado aqui) e provavelmente vou fazer o mesmo até o dia 30 de junho, quando a minha aventura no Canadá acaba. Já é possível ver a luz no fim do túnel e já é possível sentir uma mistura bem esquisita de sentimentos.
Mas, viajar é bom demais! Essa é a conclusão que se tira nessa vida.
Espero que tenham tido paciência de ler esse grande texto!!!
NÃO DEIXEM DE VER AS FOTOS NO LINK ABAIXO!!!Veja as fotos que eu coloquei no Facebook acessando esse site aqui:
http://www.facebook.com/album.php?aid=13947&id=100000363636335&l=d1b71da916