segunda-feira, 25 de abril de 2011

Diário de bordo: Dias -4 a 2

Então deixamos o hotel de trânsito da marinha no Alecrim, em Natal, em direção ao porto de onde saíria o Trasmar I, chefiado pelo Mario Jr. e seus tripulantes: Da Lua, Chico, Márcio, Moisés, Seu Sebastião (cozinheiro), Ezequiel e Irmão. Uma van da Marinha passou às 6h da manhã no hotel, nos pegou e nos largou lá, sem quase um bom dia. Mas tudo bem...

Saímos de Natal navegando no tranquilo rio Potengi na quinta-feira, dia 21 de abril de 2011. Os primeiros 30 min de navegação foram tranquilos. Fiz questão de frisar 30 minutos, pq logo depois que saimos da barra, as ondas começaram a bater. E batiam muito. Era um balança pra lá, um balança pra cá... e onda entrando no convés do barco e lavando tudo... cuidado ai menino... tchuaaaaaaaa.... emocionante! Mas não chegava a ser uma tempestade tropical daquelas que viram navios. Mas seria o suficiente para virar estômagos mais fracos. Não o meu! Eu tomei um remédio chamado Stugeron, sugerido pelos meus queridos companheiros e fiquei o tempo todo no convés, escondidinho da chuva. E foi lá que passei o dia todo. Conversando com os pescadores que toda hora me questionavam se eu não ia dormir. Lá dentro, na cabine, fazia um frio desgraçado (por causa do ar condicionado geladão), era tudo fechado e o beliche parecia mais um caixão do que uma cama. Fiquei enrolando nessa até umas 11 e pouca da noite, qdo entrei na cabine e dormi que nem um anjo.

Na sexta-da-paixão, dia 22 de abril, o mar se acalmou. Abriu um lindo dia de sol e a motivação do dia foi Noronha. Aquela bela ilha surgiu no horizonte mais ou menos 10h da manhã, mas só passamos ao largo dela qdo eram mais ou menos 2 da tarde. No mar, tudo é mais lento... hehehe... Pra vcs terem uma idéia, o arquipélago fica a 1100 km da costa de Natal, ou seja, o mesmo que do Rio para Brasilia. Só que no mar, a velocidade média que fazemos é de aproximadamente 13-14 km por hora. Por isso levamos 4 dias de viagem. Por isso, uma viagem longa assim de barco é tão cansativa... por isso, pequenas coisas que aparecem, como a ilha de Noronha, um monte de golfinhos saltitantes e um belo por-do-sol em alto mar, fazem com que o segundo dia de uma longa viagem seja um dia feliz, com bom humor de todos!!!

Mas no sábado, o marasmo dominou. O mar voltou a ficar mexido e o mais emocionante acontecimento do dia foi o sobrevoo de um atobá e de uma viuvinha. Dois pássaros perdidos no meio do Oceano Atlântico. Como? Sei lá. Eles devem estar perdidos por ai! Além desses pássaros, tivemos também uma deliciosa sopa de macarrão preparada pelo Seu Sebá, que faz maravilhas em uma cozinha de pouco mais de um metro quadrado e com o chão balançando o tempo todo. E você aí reclamando que sua cozinha é apertada e por isso você não cozinha direito... francamente!

No quarto dia de viagem a ansiedade predominou. Acordei e fui direto pra parte mais alta do barco pra ver se eu via o Arquipélago. Fui conversando um bom tempo com o meu camarada Leandro e o flamenguista pescador Da Lua. A conversa foi rolando enquanto observavamos algas formando grumos que indicavam a proximidade com a terra firme. Além disso, encontramos uma boia perdida que logo foi içada para o convés. Além disso, vimos um belo exemplar de uma caravela - aquela agua viva que queima mais que fogo! Que dia longo. Dava 10 da noite, mas não dava meio-dia!!! Nessa altura, eu, Leandro, Poli e Mariana já estavamos amigos íntimos. Parecia que nos conhecíamos a anos, mas na verdade era apenas uma semana. Lá no horizonte surgiu um vulto preto, que mais parecia um navio visto de lado. Era o Arquipélago. "Eba! tamo chegando!" Mas como eu disse antes, no mar as coisas são um pouco mais lentas...

#DIA 1#
2 horas depois chegamos no Arquipélago com o mar bastante agitado. Uma operação náutica que exigiu um pouco da experiência dos nossos eximios pescadores que nos colocaram em terra são e salvos, apesar de molhados. Fomos recebidos pela Maíra e pela Iara (pesquisadores da FURG que trabalham com tartarugas) e por dois militares - que eu não me recordo o nome, pois eles nao se preocuparam em interagir com a gente! Conversamos por 30 minutos, qdo o barco delas (o Transmar III) finalmente partiu! Mas nem deu tempo de curtir tristeza. Com elas saindo, o pessoal do Transmar I já começou a trazer nossas coisas. Sobe bolsa, sobe cilindros de mergulho, sobe as compras, sobe garrafões de água. Tudo isso num pierzinho que mais parece uma prancha. Depois de muito suor embaixo de uma chuva desgraçada, terminamos de arrumar as coisas na casa e paramos para apreciar a vista.

As ondas batiam sem parar, mas no meio delas deu pra ver tartarugas que vivem aqui na enseada em frente de casa e os golfinhos que vivem pelo lado de fora da enseada. Que coisa linda!!! Papo vai, papo vem, o sol abriu e fomos dar uma volta de reconhecimento na ilha. 10 minutos bastaram para vermos como ela é inóspita. É pedra pra tudo quanto é lado. Além de pedra tem os caranguejos que saem correndo da gente, tem as viuvinhas que ficam na delas e tem os atobás, passáros malditos que nos bicam quando passamos perto dos ninhos deles. De noite eu preparei o jantar pra gente. Bebemos uma cerveja trazida direto do continente e fomos dormir, todos exaustos e felizes de termos abandonado os caixõezinhos do barco que foi nossa dormida nos últimos três dias...

#DIA 2# HOJE
Acordei aproximadamente as 5 e meia (horário do continente) com o sol na minha cara. Uma bela aurora com uma bola de fogo saindo do meio do mar. Aí fui com o pessoal pra cima da casa para limparmos as placas que captam a energia solar e depois desci para tomar café. Como o mar estava agitado desde ontem, não deu para nos prepararmos para mergulhar e fazer o nosso trabalho. Fazer o que né? As meninas foram logo cedinho para o barco, pois elas trabalham com pesca e foram coletar amostras que os pescadores pescaram ontem (quanto "pesc" na mesma frase, não?). Eu e o Leandro ficamos com a Missão Impossível! Para aqueles que curtem as minhas aventuras, aqui vai mais uma. A água doce que usamos para lavar roupa, a mão, a louça e tomar banho, vem de um aparelho chamado dessalinizador. O dessalinizador fica numa parte mais alta da ilha e por isso precisamos pegar uma trilha, que nada mais é do que uns 10 metros. Fácil né? Não! Acontece que os FDP dos atobás fazem os ninhos dele nessa trilha e para chegarmos lá temos que passar por cima deles. Mas cada um tenta te dar uma bicada, e mesmo antes de chegarmos aqui, já havíamos ouvido que ela doi! Resultado: pegamos uma vassoura cada um, vestimos botas de borracha, respiramos fundo e fomos encarar as malditas das aves. Hoje ninguém se feriu, nem aves nem humanos. Amanhã já não posso garantir! Fizemos a água doce e descemos felizes e contentes!

Ai empacotei meu computador com aquele papel filme. A maresia aqui é coisa de louco. As ondas batem ali na pedra e tremem a casa, pq é tudo mto perto! Com isso, uma nuvem de água salgada se espalha pelo ar e se der mole vai corroer tudo. Por isso a casa é toda planejada para aguentar essa intempérie da natureza. Mas isso eu falo em outro texto.

Nós almoçamos e depois do almoço demos um mergulho na enseada. A barriga estava cheia e por isso ficamos pouco tempo. Mas foi a água mais transparente que eu vi em toda a minha vida! Sério mesmo! Foram uns 15-20 minutos de alegria intensa. Tô doido para mergulhar com o cilindro para podermos ficar mto tempo no fundo dessa água cristalina!!!
Vamos torcer por mar acalmar!

Hoje eu não consegui colocar as fotos pq a internet não está colaborando. O que que eu queria tb? Estou no meio do nada, esquina com o porra nenhuma, e ainda tem internet!!! Fantástico.

O dia está acabando com uma notícia bem ruim, pois fiquei sabendo que meu amado padrasto, mais conhecido como Tio Neves, teve um probleminha de saúde, mas está se recuperando bem! Daqui do meio do Atlântico mando todas as minhas energias positivas pra ele!!!

4 comentários:

  1. Que delíciaaaaa meu irmão!!! Viajei com você na narrativa escrita aqui... Vc sabe o tanto que vibro com essas histórias né?!!! Ri horrores com a parte dos atobás, imaginando a cena... coisa de desenho animado... rsrsrsrs
    Continua escrevendo, viu?!!! E quanto ao tio Neves fica tranquilo que vai ficar tudo bem... hoje de noite falei com a mamãe e ela disse que os exames já estão sendo realizados e se Deus quiser, em breve ele estará em casa novamente... como te falei no msn, aproveita esse lugar mais do que propício pra enviar energias positivas pra ele!!!
    TE AMOOOOOOOOOO!!! E aproveita mtooo ai... não esquece de dividir com a gente, viu?!!!
    Bjãoooooo

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  2. Nano que bom que me avisou em tempo de eu ainda poder ler de um fôlego só!
    Não sei há quanto tempo vi uma reportagem sobre as pesquisas nessa ilha! Na época fiquei impressionada com a solidão (que me pareceu) imensa! Como sou bicho urbano, não me imagino em uma empreitada dessas, mas invejo o que seus olhos vêem! O que a distância, a rotina e a situação limite lhe acrescentarão... E olha que eu ainda nem falei dos sashimis!!
    Vou acompanhando muito afim de ver as fotos!
    Beijos

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Quanta aventura!
    Bom saber que tem Flamenguistas nesta expedição. Vocês deram sorte no desembarque. Assisti a um programa na tv cultura, casos de espera de mais de 8 horas para poder desembarcar. Quanto as recepções militares, vá se acostumando que eles são assim mesmo. Frios! O que vale é a experiência que você e seus amigos estão vivenciando. Agora fiquei admirado em saber que a internet *bem ou mal* pega nesse lugar.. E lembrando a você que no mesmo dia 22 de abril, a 511 anos atrás, por aí passaram três galeras portuguesas chefiados pelo grande Pedro Alvares Cabral, sem conforto nenhum, quase sem comida e pior ainda... sem a porra da internet#$ E vocês ainda levaram cervejas.... Aproveita!

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