Você pode encontrar mais fotos da minha viagem aqui: http://www.flickr.com/photos/e-lanna/
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Hub Mall, foi bom te conhecer
Não é a primeira vez que eu tô fazendo uma mudança e tenho certeza que não será a última. Mas hoje quando voltava do bar onde me encontrei com o pessoal, subi as escadas pensando "essa é definitivamente a última vez que eu volto de um pub pra essa casa!"
Ai cheguei aqui, terminei de limpar a geladeira, o banheiro e estou indo dormir.
As coisas já estão todas nas malas.
A festa do "até breve" foi muito legal. Juntei bastante gente legal que fez com que a minha vida aqui fosse bem mais sossegada.
Amanhã eu termino tudo que tinha pra fazer no laboratório. Amanhã eu fecho a minha conta no banco, devolvo o modem para a empresa de telefone de onde eu peguei a internet. Ai vai faltar devolver uns livros que eu peguei na biblioteca e estarei sem laços algum com Edmonton.
Hoje eu ouvi de um monte de gente as árduas palavras "Por favor, não vai não!", "Fica mais um pouco", "Eu vou sentir sua falta"...
Isso me faz lembrar do meu aniversário no ano passado. Quando após todos os meus amigos irem embora lá de casa eu sentei numa cadeira e chorei pra caramba. Chorei de felicidade. Chorei porque eu sou um cara muito feliz. Porque eu tenho tudo que eu preciso pra ser feliz. Eu não preciso de um carrão, de morar em Ipanema e comer caviar. Não preciso viajar pra Europa todo ano e não preciso de usar roupas caras. Eu chorei naquele dia porque eu percebi que o meu maior tesouro são os meus amigos. E conhecer pessoas e ter bons momentos com elas é uma das coisas que eu mais aprecio.
O bom de ficar longe da sua rotina e de se distanciar de todos aqueles que você conhece a algum tempo é que você aumenta bastante o seu autoconhecimento. Eu posso ser desastrado, não ser o melhor craque do futebol, ser péssimo em jogos eletrônicos. Mas tenho uma habilidade que me orgulho muito: a de fazer amigos!
:)
Mais uma noite e estarei voltando pra casa.
domingo, 27 de junho de 2010
Último fim de semana
Pra muitos, especialmente a Fernandinha, essa viagem não foi curta não.
Pra mim é um mixto de que passou voando e ao mesmo tempo parece que eu moro aqui faz séculos. Estou tão acostumado com a cidade que me sinto um cidadão edmontoniano. Sei que ruas pegar pra ir pra não sei onde, sei quais os ônibus são melhores pra pegar em tal hora, onde ficam tais lojas, as marcas dos produtos do supermercado.
Só nãos sei como esses caras nomeiam as carnes deles e não sei porque o frango aqui é tão caro.
Também não sei porque esses caras insistem em não poder beber cerveja na rua, pois só é permitido tomar qualquer coisa alcólica dentro de estabelecimentos legalizados para tal. Até comprar cerveja não é fácil. Você tem que ir numa loja especializada em bebidas alcólicas, tem que ser maior de 21 anos e dar sorte de ter uma loja perto de você. Cerveja no supermercado? Nem em sonho!!! Se um dia um de vcs vierem à Edmonton não bebam Kokannee, Bud light, HoneyBrown. São cervejas tão ruins quanto Bavaria e Glacial, mas ainda assim são caras. Mas a galera aqui alopra também. Nego bebe muito e com o frio que faz, é até melhor nego não beber na rua. Ia morrer congelado!!!
A cidade é a capital do estado de Alberta apesar de Calgary, mais ao sul, ser a cidade mais rica e mais importante dessa província. Edmonton vive principalmente do petróleo extraído ao seu redor. A eletricidade aqui é gerada a partir da queima de carvão (termoelétricas). A cidade era dividida em duas: Strathcona e Edmonton e elas eram separadas pelo rio Saskatchwean. A um tempo atrás um rapaz resolveu que a cidade devia se juntar e construiu várias pontes para juntar os dois lados do rio. O centro da cidade fica do lado norte, onde alguns amigos moram, tem o centro comercial, alguns shoppings e alguma badalação. Eu moro no lado sul, onde fica a universidade, a principal avenida da badalação da cidade e a maioria dos meus amigos.
Aqui tem muito chinês. Muito frio no inverno, muita gente diferente e pouca coisa pra fazer. Aqui não tem vista bonita, não tem praia e não tem montanha pra fazer snowboard. Aqui não tem parques espetaculares, não tem muitas atrações turísticas e o time de hockey é uma bosta. Aqui as coisas nem são tão mais baratas, o café é fraco e o feijão é quase inexistente. A cerveja é cara, não toca samba e não tem as pessoas que eu amo por perto. Por aqui a gente tem que se esforçar pra falar inglês e entender essa língua tão diferente da nossa. Em Edmonton tudo é plano e organizado em quadras, uma certa monotonia no ar. Essa cidade não tem cheiros característicos, não tem cores características, não tem comidas características. Nem muito barulho essa merda tem. Nessa cidade todo mundo reclama porque tá aqui e todo mundo acha que podia ser melhor!!! Por isso, tato, paladar, olfato, visão e audição não são muito utilizados por aqui.
Mas na ausência de tudo isso que eu falei ali em cima, na ausência do funcionamento dos 5 sentidos, um sexto (ou seria o sétimo? sei lá!) sentido se expressa. O da convivência.
Eu li todos os meus textos desse blog outro dia. E vi que depois do carnaval a minha vida mudou completamente. As inúmeras pessoas que eu conheci a partir daquele dia mudaram a minha vida. Eu sei que daqui a alguns dias voltando a rotina no Rio eu vou até deixar um pouco essa estranha sensação de lado. Na ausência dos 5 sentidos, o sexto sentido da amizade aparece e reina fácil. Não é só comigo. A maioria das pessoas comentam isso. Na falta do que fazer, faça amigos.
E apesar do trabalho ter sido na minha opinião um sucesso, a coisa que eu levo mais importante daqui foi a experiência de vida. Todo mundo, eu digo todo mundo!, devia tentar um dia ter uma experiência como essa. Alguns meses fora da sua rotina. Não precisa ser em outro país... a mudança é muito importante pro autoconhecimento...
A casa está vazia. Doei todos os meus pertences e agora só tenho as minhas roupas e um colchão para dormir. Amanhã será a minha festa de despedida. Devo juntar mais ou menos 25 pessoas num pub que tem aqui perto. Na terça ao meio dia eu tenho que devolver as chaves do apartamento. Ai de noite devo dormir na casa do Gustavo. Na quarta eu zarpo pro Brasil. Na quinta eu já acordo em solo nacional e sigo para o Rio onde eu devo pousar por volta das 2 da tarde. Feliz por poder voltar pra minha casa, pra minha mulher, pro meu colchão e pro meu travesseiro.
Feliz por estar com aquela sensação de dever cumprido.
Vou tentar escrever amanhã ainda e na terça e quarta... mas caso eu não consiga, queria deixar bem claro a minha satisfação de ter tido essa experiência. Agradecer ao apoio da galera ai de longe e dos meus amigos aqui de perto. Eu sei que ninguém vai ler essa baboseira toda, mas o lance é que isso aqui é uma despedida de mim pra mim mesmo.
Vou tentar não chorar, eu juro!
Vejo vocês em breve (praqueles leitores do Brasil) e vejo vocês por aí (para os leitores de Edmonton - tem algum?).
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Somente uma semana
Em bom português: porra, mais que merda! Só se fala disso por aqui. hehee... Então vamos mudar de assunto e vamos falar de mudança ou de outras coisas, pq falta apenas uma semana pra eu estar em terras brasileiras.
Em Edmonton tudo muda do inverno pro verão.
A cidade é outra.
As árvores tem folhas verdes e as flores que coloriam a cidade agora deram lugares aos frutos. Tudo muito bonitinho do jeito que a gente aprende na escola, não aquela bagunça que a gente vê ai nos trópicos. Mesmo as maple-trees agora estão verdinhas e aquela folha símbolo do Canadá não está mais vermelha. Aliás, eu tenho que roubar uma de uma árvore que tem lá perto do lab pra poder guardar de recordação.
No verão, os veículos são diferentes. Quando cheguei a maior parte dos carros eram caminhonetes e utilitários, mas agora o que mais se vê pelas ruas são esportivos e conversíveis. Outra coisa que é fantástica é a quantidade de motos. Isso porque no inverno é proibido dirigir motos. Além do frio escruciante, é muito perigoso.
Falando em perigoso, aqui em Edmonton você não é obrigado por lei a pedalar com capacete. Mas mesmo assim todo mundo usa um capacete quando está andando de bicicleta. As bikes, por sinal, andam na rua como se fossem automóveis, com as pessoas fazendo sinais para dobrar à direita ou à esquerda e parando nos sinais.
Falando em sinal, se você for pego atravessando a rua sem ser na faixa de pedestres quando o sinal está aberto pra você, o guarda vai te dar uma multa bem salgada. As pessoas que atravessam a rua fora da faixa de pedestres são chamados de "J-walkers" (não sei o porque do J). Por isso, geralmente se anda um pouco mais pra atravessar a rua, mas tarde da noite ou em ruas pouco movimentadas a gente atravessa sem problemas.
É extremamente proíbido fumar em locais fechados e só é permitido fumar na rua a pelo menos 5 metros de distância das portas. Isso porque durante o inverno, quando se abre a porta o ar entra e se um filha-da-puta estiver fumando na porta vai todo mundo dentro do prédio fumar junto! E é tão bom sair de noite e ir prum bar e ao voltar pra casa não se sentir como um cinzeiro.
O sistema de transporte é muito bom. A passagem é relativamente cara (2.75 dolares canadenses), mas você recebe um tiquete que te permite usar outros ônibus num intervalo de duas horas. Você pode usar esse tiquete para andar no metrô tb. O ônibus não tem cobrador e você precisa pagar a passagem com o dinheiro trocado - 2 e 75 em moedas ou nada feito. No metrô você compra o tíquete numa máquina que te dá o troco (aí você pode usar moedas ou até notas de 20 CADs). Não tem guichê, muito menos roleta. Você pode entrar sem pagar, descer até a estação e pegar o trem. O problema, novamente, é que a multa se você for pego sem ter o tíquete é astronômica. Mas durante esses 5 meses eu só vi fiscalização uma vez quando eu tava voltando do cinema com um amigo e era mais ou menos 1h da manhã. Mesmo assim, todo mundo compra o tíquete antes de embarcar.
O dinheiro aqui do Canadá é o dólar canadense (CAD). Hoje a cotação dele é de aproximadamente 1 pra R$1,75. Aqui tem moedas de 1 centavo (penny), 5 centavos, 10 centavos (dime), 25 centavos (quarter, talvez a moeda mais importante, pq se for num mercado, pra pegar um carrinho você precisa de 25 centavos pra tirar o carrinho e quando você devolve o carro ele cospe os 25 centavos de volta), 1 dolar (o looney) e 2 dólares (o toonie). Aí existem notas de 5 dólares (que tem umas crianças jogando hockey no verso), 10 dólares, 20 dólares (a mais comum, ela é verde e está em todos os lugares. Foi a nota que eu mais tive na minha carteira por aqui), 50 dólares (vermelha, talvez a mais bonita) e a de 100 dólares, que eu não me lembro a cor mas eu acho que é tipo a de 50 reais - tive só uma dessa logo que eu cheguei aqui!
E ao passar por todas essas mudanças e conhecer todas essas coisas diferentes desse lugar diferente não tinha como eu não mudar. O Emilio que está voltando pra casa não é o mesmo que saiu do Rio. Eu aprendi tanta coisa aqui e vivi tanta coisa diferente que é impossível ser o mesmo. Profissionalmente eu aprendi que os cientistas brasileiros fazem milagres com a pouca grana que eles possuem e que nós podemos surpreender o mundo quando nos dão oportunidades. A minha orientadora falou hoje na última reunião do lab que o laboratório vai ficar vazio sem ter eu trabalhando lá todo dia. Uma pósdoc com quem eu tô trabalhando falou que me deve 1 milhão de dólares porque eu consegui fazer funcionar os experimentos que ela e a Pam estavam tentando fazer a algum tempo e nunca funcionava. Elogios não faltaram e eu to indo pra casa com a sensação do dever cumprido e de que as portas estão abertas aqui pra mim. Aprendi também que nós cientistas brasileiros não temos que temer e colocar os outros cientistas num pedestal. Os gringos tem mais dinheiro, mas mesmo assim eles passam tanto aperto quanto a gente, cometem os mesmos erros, forçam as mesmas barras e tem artigos rejeitados da mesma maneira. As coisas são SIM mais fáceis aqui, mas mesmo assim não são moles e as pessoas dão valor ao dinheiro que elas tem pra fazer a pesquisa delas. Talvez seja um pouco isso que falta pra gente. Valorizar o nosso conhecimento e a oportunidade de gerá-lo.
Conhecendo gente do mundo inteiro você aprende que o mundo é um carocinho de feijão e todo mundo vive na parte branca - como diria minha amiga Thaís, a qual dentro em breve estarei encontrando novamente na cidade maravilhosa. Que você pode conhecer pessoas das mais diferentes culturas e mesmo assim fazer amizade com todas elas. E é legal quando você está pra ir embora e você vê que você é querido pela quantidade de "não vai embora não" que você ouve.
E é com essa sensação de dever cumprido que eu vou passar os últimos dias por aqui. Hoje eu cancelei minha internet em casa e meu telefone celular. Já doei todos os meus poucos pertences adquiridos em Edmonton para o meu bem viver e sábado ou domingo o casal que vai pegá-los vai passar aqui pra buscar. Comecei a empacotar as minhas coisas e amanhã tenho que começar a limpar a casa pois quero receber o dinheiro do seguro por completo. Tomei cerveja demais por aqui e acabei não gurdando um centavo. Por isso não esperem presentinhos... me desculpem, mas o que eu posso presenteá-los é com uma bela sessão de fotos e bastante história pra contar.
É... últimos dias... parecia que não ia chegar nunca! (voz do Faustão on:) "mais do que nunca" (voz do Faustão off) a tristeza de deixar os amigos e as experiencias vividas em Edmonton está sendo substituida pela ansiedade de chegar em casa e encontrar com todas as pessoas que eu amo nesse país tão complicado que é o nosso, mas tão lindo e adorável.
Mas deixa eu dormir... amanhã, sábado, domingo e segunda eu ainda tenho que trabalhar um bocado...
Vejo vocês em breve.
Emilio
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Sobre bisões, castores e amigos
Em setembro do ano passado, quando saiu o resultado do meu pedido da bolsa, eu não fazia a menor idéia do que me esperava no Canadá. Não sabia se o meu trabalho ia ser bom, não sabia como ia ser o meu relacionamento com a minha chefe, não sabia se eu ia aguentar a solidão e a distância daqueles que eu amo e não tinha muita certeza se ia conseguir fazer amigos por essas bandas.
Pois bem, o título desse texto fala sobre bisões. E isso está relacionado as minhas duas primeiras indagações que povoaram a minha mente antes de partir do Brasil. O trabalho e o relacionamento com a chefe. Bom, resumidamente, o meu trabalho aqui não poderia ter sido melhor (quer dizer, poderia sim, mas são outros 500). O laboratório tem uma boa estrutura, os estudantes que dividiram ele comigo durante esses 5 meses são brilhantes e muito muito batalhadores, o trabalho fluiu num passo muito bom e no final está rendendo bons frutos. Isso tudo se deve a uma orientação muito boa de uma pessoa muito simpática e muito legal. A professora Sally Leys. E aqui está a resposta pra minha segunda indagação: como seria o relacionamento com ela. E esse sim não podia ter sido melhor. Além de ser fã dela desde criancinha (cientificamente falando), agora eu sou fã da pessoa. Ela é muito gente fina, trata todo mundo da mesma maneira, ouve, conversa e indaga sobre tudo. Ela te coloca pra cima e faz com que você se sinta motivado pra trabalhar. Mais do que tudo, ela tentou fazer a minha estadia aqui a mais confortável possível. E ela conseguiu!
E o que que isso tem a ver com bisões? Simples, sábado passado ela e o marido pegaram eu e um outro estudante internacional que tá aqui no lab (o alemão Olli) e nos levaram para um parque nacional (Elk Island Park) para ver bisões e outros animais silvestres do Canadá. Não vi um urso sequer (nem era esperado), mas vi alguns bisões e castores em um lago. E foi uma tarde muito animada, com uma trilha legal e conversas sobre todos os assuntos. Muito divertido! Depois de me levar pra patinar em um lago congelado, pra Bamfield e Vancouver, acho que eu não podia estar mais agradecido por toda a hospitalidade que ela me ofereceu aqui.
Pra responder se eu ia aguentar ficar longe das pessoas que eu amo, eu preciso responder a última indagação. Novamente a palavra amigos volta a esse blog. Se não fosse por eles eu não conseguiria ter passado por esses meses todos tão bem como eu passei. Se não fosse por eles, eu não conseguiria ter aproveitado tanto a minha estadia por aqui como eu aproveitei. Se não fosse por eles eu não teria tido tantas risadas, bons momentos e oportunidades de fazer coisas diferentes. Pois nesse fim de semana, depois do Brasil ganhar da Costa do Marfim, nós fomos jogar boliche como uma forma de "festa de despedida" para esse que vos escreve. Eramos quase dez pessoas e foi estremamente divertido. Além dos meu amigos latinos, juntaram-se a nós uma menina da Itália que eu conheci no dia, a Pam (a aluna do lab que me ensinou tudo sobre biologia molecular e que pacientemente reviu os meus péssimos alinhamentos e "primers") e a minha amiga made-in-Japan Yuki. Fizemos alguns strikes, mas na verdade o mais legal foi tomar cerveja e falar bobagem usando sapatos da Mangueira (vejam fotos abaixo!).
Mas ao mesmo tempo que os amigos me deram tantas alegrias, eles também são os responsáveis por um sentimento assustador que é a incerteza (quase certeza de que não) voltaremos a nos ver. E hoje uma página importantíssima desse livro edmontoniense foi virada. Hoje saímos pela última vez eu, Levi e o Gustavo. As chances de isso acontecer de novo nessa cidade são remotíssimas. Pelo menos somos todos brasileiros do sudeste, o que facilita a possibilidade de um encontro futuro por essas bandas aí. Depois de nos despedirmos, o Levi atravessou a rua e vendo isso acontecer uma sensação de vazio tomou conta de mim... Pelo menos o Gustavo tava do meu lado e a gente ainda tinha um bom pedaço pra caminhar...
Nessa cidade você faz amigos como se fossem irmão. A necessidade de se unir a outras pessoas é enorme e a empatia vence qualquer coisa. Digo isso porque você se apega as pessoas de uma maneira tão rápida que você se pergunta como aquilo aconteceu. Você conhece uma pessoa na sexta, aí se encontram de novo no sábado, quando então vocês começam a conversar pelo Facebook e finalmente no domingo essa pessoa já tem uma ligação fortíssima com você. Não quero dizer que a partir daí você já faz amigos para se confessar. Você cria uma ligação de bons momentos... enfim, pra mim isso é um AMIGO. E com certeza eles são as coisas mais importantes que eu estou levando de volta pro Brasil.
Faltam 9 dias!

quarta-feira, 16 de junho de 2010
Copa do Mundo e 2 semanas
O fim nunca esteve tão perto. A essa hora em duas semanas eu provavelmente estarei em Toronto esperando o cata-corno pra voltar pra Terra Brasilis. "Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá".
Essa experiência aqui serviu pra duas coisas: a primeira é que você aprende a dar valor a todas as coisas boas que o nosso belo e imenso país tem: amigos, comida, beleza natural, animação das pessoas, poder beber cerveja em qquer lugar, futebol... A segunda, por outro lado, é que você vê como ele ainda podia ficar melhor: menos roubalheira (sim, aqui tem político corrupto sim, mas eles fazem um pouco para a população antes de meterem a mão), uma saúde mais descente, educação no trânsito e das pessoas, etc.
Estou completamente amedrontado com o meu projeto de doutorado pra quando eu chegar ai. O que eu tinha proposto no começo não vai ser facil de se cumprir. Tenho muita coisa pra fazer num intervalo de tempo relativamente curto e com um orçamento um tanto quanto apertado. Mas como sou brasileiro, e tenho uma orientadora bastante sensata, tenho certeza que vamos dar um "jeitinho" e conseguir resolver as pendengas desse projeto.
Mas vamos parar de lamentar! A Copa do Mundo começou. Na verdade, hoje começou a segunda rodada da competição. E que coisa linda é ver futebol pela manhã todo dia. Tudo bem que não temos visto belos jogos até agora, mas só de assistir as peladas já fico feliz.
Eu montei um esquema no laboratório que assisto os jogos pelo computador enquanto faço o meu trabalho. Infelizmente, ando tão concentrado no que eu tô fazendo que não dá pra prestar muita atenção nos jogos. Mas mesmo assim é legal poder ver a Copa do Mundo de novo.
Ontem (terça) juntamos um monte de brasileiros num bar que tem aqui perto da universidade para assistir o jogo. Devia ter mais ou menos umas 50 pessoas. Apesar de o jogo não ter sido tão empolgante, foi legal ver todo mundo gritando pela nossa seleção. Teve samba e palavrões. Pra ficar mais autêntico, só faltou uma Skolzinha gelada. Mas não seria possível beber tb, pq eu tinha uma reunião logo em seguida. Quando eu voltei pro laboratório (o jogo aqui foi de 12:30 até 2:30) todo mundo ficou me perguntando como o Brasil tinha se saído. A resposta foi: "como no rumo natural das coisas, nós ganhamos! Mas não foi fácil! hehehe"
E eu espero que mesmo capenga como essa seleção tá, eles consigam passar pras quartas-de-final, pois eu chego exatamente entre os jogos da oitava e das quartas e quero muito poder assistir pelo menos um jogo na mais autêntica maneira brasileira! Bebendo cerveja e xingando o Dunga!
Vamo Brasil!!!
Falta pouco agora!!!
Victor (venezuelano), Diana (paulista meu), Emilio (é do Brasil-sil-sil!) e Mireyzita del Nascimiento (Mexico) torcendo para a nossa seleção.sábado, 12 de junho de 2010
Twitter blog #2
Gente! Foi mal a demora, mas ando meio ocupado por aqui.
No mesmo esquema de uns textos atrás, vamos a notícias curtinhas sobre o que se passa por aqui nas últimas semanas!
#Trabalho
A rotina de ir ao laboratório não diminuiu. Nesses últimos meses tenho ido ao laboratório (onde estou nesse momento) todo sábado e domingo, faça chuva ou sol, tenha pelada ou não... Muita ralação nessas últimas semanas. Mas pelo menos o trabalha está dando frutos. Com os resultados que obtive aqui, foi possível enviar um resumo pro congresso que vai ter em setembro e estamos conseguindo alcançar resultados interessantes para um futuro artigo. Falando em artigo, um que eu escrevi a algum tempo foi aceito para publicação em uma revista científica internacional. Agora eu tenho que trabalhar ainda mais para deixar ele do jeito que o editor pediu... faz parte dessa vida de cientista.
#Rotina
E por aqui a vida segue sua rotina. Saio cedo pro lab, chego em casa e ligo pra Fê. Depois dou uma estudada ou assisto uns seriados. Nessa última semana eu acabei de ler um livro muito legal (aquele que eu comprei logo que cheguei aqui com uma vendedora que era igualzinha a tia Glória). O livro se chama "The girl with the dragon tatoo" e é muito bom. Não sei se já adaptaram para o português, mas é muito muito bom! Enfim, depois eu durmo e já acordo pra trabalhar no dia seguinte. Rotina. Nos fins de semana geralmente a gente toma uma cerveja por aqui, fala um monte de bobagem e vai pra casa descansar...
#Ta dificil dormir
Tá escurecendo lá pras 11 da noite. Aí como que dorme? Você sai pra ir prum bar com os amigos e tá claro. Quando você sai do cinema, lá pelas 10, parece que ainda são 5 e 30. Ainda junta com a ansiedade da volta... Já viu né? Sono pra quê? hehehe
#O fim se aproxima
E nessas duas últimas semanas o que tem marcado a minha vida é pensar na volta para o Brasil. Pensando no que eu vou fazer quando eu chegar ai, nas coisas boas que vou encontrar e poder voltar a ter a minha vida normal. Mas ao mesmo tempo, as coisas que tenho por aqui estão perto de chegar ao fim. Meu apartamentinho (que desde que o chinês mudou é meu mesmo!), meus poucos pertences (que já estão doados só falta entregar), meus amigos e o meu árduo trabalho vão ficar por aqui. Mas não com tristeza: com saudade. Saudade é uma coisa engraçada. Essa bosta desse sentimento vai e vem. No começo você sente saudade de casa. Depois você se acostuma. Mas hora ou outra ele aparece de novo. E agora no fim, vou matar uma saudade, pra criar outra... hehehe... Mas não tem problema. Sinal de que está sendo bom. Mas com o fim se aproximando, você começa a fazer coisas que ainda não havia feito, pois está sempre deixando pra depois. Então nessas últimas semanas eu comi o famoso "hambúrguer de cordeiro com queijo de cabra", fui na biblioteca maravilhosa da universidade, conheci o centro comunitário do prédio que eu moro e mais outras coisas que eu não me lembro... :)
#Copa do Mundo
Aqui no Canadá, as vezes parece que não tem copa do mundo rolando. As pessoas não parecem ligar muito. Não parecem. Ontem eu vi o primeiro jogo em um bar com um monte de mexicanos. Estamos combinando de assistir aos jogos do Brasil no mesmo lugar. Tem um canal de tv aqui que está passando todos os jogos. E quando alguém pergunta de onde eu sou e a resposta é Brasil, a primeira pergunta que se faz é "E a Copa? Vocês vão ganhar?" Por isso, mesmo que não seja tão demonstrado, a Copa do Mundo vagarosamente se mostra um evento esportivo com algum impacto no Canadá. Até porque, como falei antes, isso aqui é uma terra de muitas culturas.
Enfim, a volta está chegando. Não vejo a hora de comer uma deliciosa feijoada, dormir com minha pequenininha e poder falar besteiras com meus amigos.
O duro vai ser assistir o restante da copa com a narração do Galvão Bueno... se bem que o inglês com o ovo na boca que narra o jogo aqui consegue ser pior que ele.
beijos e abraços...
tá chegando!






