quinta-feira, 24 de junho de 2010

Somente uma semana

Eu acho que os últimos textos foram todos sobre despedidas.

Em bom português: porra, mais que merda! Só se fala disso por aqui. hehee... Então vamos mudar de assunto e vamos falar de mudança ou de outras coisas, pq falta apenas uma semana pra eu estar em terras brasileiras.

Em Edmonton tudo muda do inverno pro verão.
A cidade é outra.

As árvores tem folhas verdes e as flores que coloriam a cidade agora deram lugares aos frutos. Tudo muito bonitinho do jeito que a gente aprende na escola, não aquela bagunça que a gente vê ai nos trópicos. Mesmo as maple-trees agora estão verdinhas e aquela folha símbolo do Canadá não está mais vermelha. Aliás, eu tenho que roubar uma de uma árvore que tem lá perto do lab pra poder guardar de recordação.

No verão, os veículos são diferentes. Quando cheguei a maior parte dos carros eram caminhonetes e utilitários, mas agora o que mais se vê pelas ruas são esportivos e conversíveis. Outra coisa que é fantástica é a quantidade de motos. Isso porque no inverno é proibido dirigir motos. Além do frio escruciante, é muito perigoso.

Falando em perigoso, aqui em Edmonton você não é obrigado por lei a pedalar com capacete. Mas mesmo assim todo mundo usa um capacete quando está andando de bicicleta. As bikes, por sinal, andam na rua como se fossem automóveis, com as pessoas fazendo sinais para dobrar à direita ou à esquerda e parando nos sinais.

Falando em sinal, se você for pego atravessando a rua sem ser na faixa de pedestres quando o sinal está aberto pra você, o guarda vai te dar uma multa bem salgada. As pessoas que atravessam a rua fora da faixa de pedestres são chamados de "J-walkers" (não sei o porque do J). Por isso, geralmente se anda um pouco mais pra atravessar a rua, mas tarde da noite ou em ruas pouco movimentadas a gente atravessa sem problemas.

É extremamente proíbido fumar em locais fechados e só é permitido fumar na rua a pelo menos 5 metros de distância das portas. Isso porque durante o inverno, quando se abre a porta o ar entra e se um filha-da-puta estiver fumando na porta vai todo mundo dentro do prédio fumar junto! E é tão bom sair de noite e ir prum bar e ao voltar pra casa não se sentir como um cinzeiro.

O sistema de transporte é muito bom. A passagem é relativamente cara (2.75 dolares canadenses), mas você recebe um tiquete que te permite usar outros ônibus num intervalo de duas horas. Você pode usar esse tiquete para andar no metrô tb. O ônibus não tem cobrador e você precisa pagar a passagem com o dinheiro trocado - 2 e 75 em moedas ou nada feito. No metrô você compra o tíquete numa máquina que te dá o troco (aí você pode usar moedas ou até notas de 20 CADs). Não tem guichê, muito menos roleta. Você pode entrar sem pagar, descer até a estação e pegar o trem. O problema, novamente, é que a multa se você for pego sem ter o tíquete é astronômica. Mas durante esses 5 meses eu só vi fiscalização uma vez quando eu tava voltando do cinema com um amigo e era mais ou menos 1h da manhã. Mesmo assim, todo mundo compra o tíquete antes de embarcar.

O dinheiro aqui do Canadá é o dólar canadense (CAD). Hoje a cotação dele é de aproximadamente 1 pra R$1,75. Aqui tem moedas de 1 centavo (penny), 5 centavos, 10 centavos (dime), 25 centavos (quarter, talvez a moeda mais importante, pq se for num mercado, pra pegar um carrinho você precisa de 25 centavos pra tirar o carrinho e quando você devolve o carro ele cospe os 25 centavos de volta), 1 dolar (o looney) e 2 dólares (o toonie). Aí existem notas de 5 dólares (que tem umas crianças jogando hockey no verso), 10 dólares, 20 dólares (a mais comum, ela é verde e está em todos os lugares. Foi a nota que eu mais tive na minha carteira por aqui), 50 dólares (vermelha, talvez a mais bonita) e a de 100 dólares, que eu não me lembro a cor mas eu acho que é tipo a de 50 reais - tive só uma dessa logo que eu cheguei aqui!

E ao passar por todas essas mudanças e conhecer todas essas coisas diferentes desse lugar diferente não tinha como eu não mudar. O Emilio que está voltando pra casa não é o mesmo que saiu do Rio. Eu aprendi tanta coisa aqui e vivi tanta coisa diferente que é impossível ser o mesmo. Profissionalmente eu aprendi que os cientistas brasileiros fazem milagres com a pouca grana que eles possuem e que nós podemos surpreender o mundo quando nos dão oportunidades. A minha orientadora falou hoje na última reunião do lab que o laboratório vai ficar vazio sem ter eu trabalhando lá todo dia. Uma pósdoc com quem eu tô trabalhando falou que me deve 1 milhão de dólares porque eu consegui fazer funcionar os experimentos que ela e a Pam estavam tentando fazer a algum tempo e nunca funcionava. Elogios não faltaram e eu to indo pra casa com a sensação do dever cumprido e de que as portas estão abertas aqui pra mim. Aprendi também que nós cientistas brasileiros não temos que temer e colocar os outros cientistas num pedestal. Os gringos tem mais dinheiro, mas mesmo assim eles passam tanto aperto quanto a gente, cometem os mesmos erros, forçam as mesmas barras e tem artigos rejeitados da mesma maneira. As coisas são SIM mais fáceis aqui, mas mesmo assim não são moles e as pessoas dão valor ao dinheiro que elas tem pra fazer a pesquisa delas. Talvez seja um pouco isso que falta pra gente. Valorizar o nosso conhecimento e a oportunidade de gerá-lo.

Conhecendo gente do mundo inteiro você aprende que o mundo é um carocinho de feijão e todo mundo vive na parte branca - como diria minha amiga Thaís, a qual dentro em breve estarei encontrando novamente na cidade maravilhosa. Que você pode conhecer pessoas das mais diferentes culturas e mesmo assim fazer amizade com todas elas. E é legal quando você está pra ir embora e você vê que você é querido pela quantidade de "não vai embora não" que você ouve.

E é com essa sensação de dever cumprido que eu vou passar os últimos dias por aqui. Hoje eu cancelei minha internet em casa e meu telefone celular. Já doei todos os meus poucos pertences adquiridos em Edmonton para o meu bem viver e sábado ou domingo o casal que vai pegá-los vai passar aqui pra buscar. Comecei a empacotar as minhas coisas e amanhã tenho que começar a limpar a casa pois quero receber o dinheiro do seguro por completo. Tomei cerveja demais por aqui e acabei não gurdando um centavo. Por isso não esperem presentinhos... me desculpem, mas o que eu posso presenteá-los é com uma bela sessão de fotos e bastante história pra contar.

É... últimos dias... parecia que não ia chegar nunca! (voz do Faustão on:) "mais do que nunca" (voz do Faustão off) a tristeza de deixar os amigos e as experiencias vividas em Edmonton está sendo substituida pela ansiedade de chegar em casa e encontrar com todas as pessoas que eu amo nesse país tão complicado que é o nosso, mas tão lindo e adorável.

Mas deixa eu dormir... amanhã, sábado, domingo e segunda eu ainda tenho que trabalhar um bocado...

Vejo vocês em breve.
Emilio

2 comentários:

  1. Valeu Emílio!
    Deve ser muito gostoso morar nesta cidade.
    Uma coincidência: Eu também não lembro mais da cor da nossa nota de 100 kkkk. Parabéns pelo seu trabalho ai. Não traga presentes, traga só uma cervejinha.
    Abraços, e até a volta.

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  2. Huahuahu
    Mto bom o comentário do Tio!
    RSrsrs
    Muleq, fica aí, vlta n! rsrsrsr
    abçs

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