Já dizia um ditado popular: "tudo que é bom dura pouco!"
Pra muitos, especialmente a Fernandinha, essa viagem não foi curta não.
Pra mim é um mixto de que passou voando e ao mesmo tempo parece que eu moro aqui faz séculos. Estou tão acostumado com a cidade que me sinto um cidadão edmontoniano. Sei que ruas pegar pra ir pra não sei onde, sei quais os ônibus são melhores pra pegar em tal hora, onde ficam tais lojas, as marcas dos produtos do supermercado.
Só nãos sei como esses caras nomeiam as carnes deles e não sei porque o frango aqui é tão caro.
Também não sei porque esses caras insistem em não poder beber cerveja na rua, pois só é permitido tomar qualquer coisa alcólica dentro de estabelecimentos legalizados para tal. Até comprar cerveja não é fácil. Você tem que ir numa loja especializada em bebidas alcólicas, tem que ser maior de 21 anos e dar sorte de ter uma loja perto de você. Cerveja no supermercado? Nem em sonho!!! Se um dia um de vcs vierem à Edmonton não bebam Kokannee, Bud light, HoneyBrown. São cervejas tão ruins quanto Bavaria e Glacial, mas ainda assim são caras. Mas a galera aqui alopra também. Nego bebe muito e com o frio que faz, é até melhor nego não beber na rua. Ia morrer congelado!!!
A cidade é a capital do estado de Alberta apesar de Calgary, mais ao sul, ser a cidade mais rica e mais importante dessa província. Edmonton vive principalmente do petróleo extraído ao seu redor. A eletricidade aqui é gerada a partir da queima de carvão (termoelétricas). A cidade era dividida em duas: Strathcona e Edmonton e elas eram separadas pelo rio Saskatchwean. A um tempo atrás um rapaz resolveu que a cidade devia se juntar e construiu várias pontes para juntar os dois lados do rio. O centro da cidade fica do lado norte, onde alguns amigos moram, tem o centro comercial, alguns shoppings e alguma badalação. Eu moro no lado sul, onde fica a universidade, a principal avenida da badalação da cidade e a maioria dos meus amigos.
Aqui tem muito chinês. Muito frio no inverno, muita gente diferente e pouca coisa pra fazer. Aqui não tem vista bonita, não tem praia e não tem montanha pra fazer snowboard. Aqui não tem parques espetaculares, não tem muitas atrações turísticas e o time de hockey é uma bosta. Aqui as coisas nem são tão mais baratas, o café é fraco e o feijão é quase inexistente. A cerveja é cara, não toca samba e não tem as pessoas que eu amo por perto. Por aqui a gente tem que se esforçar pra falar inglês e entender essa língua tão diferente da nossa. Em Edmonton tudo é plano e organizado em quadras, uma certa monotonia no ar. Essa cidade não tem cheiros característicos, não tem cores características, não tem comidas características. Nem muito barulho essa merda tem. Nessa cidade todo mundo reclama porque tá aqui e todo mundo acha que podia ser melhor!!! Por isso, tato, paladar, olfato, visão e audição não são muito utilizados por aqui.
Mas na ausência de tudo isso que eu falei ali em cima, na ausência do funcionamento dos 5 sentidos, um sexto (ou seria o sétimo? sei lá!) sentido se expressa. O da convivência.
Eu li todos os meus textos desse blog outro dia. E vi que depois do carnaval a minha vida mudou completamente. As inúmeras pessoas que eu conheci a partir daquele dia mudaram a minha vida. Eu sei que daqui a alguns dias voltando a rotina no Rio eu vou até deixar um pouco essa estranha sensação de lado. Na ausência dos 5 sentidos, o sexto sentido da amizade aparece e reina fácil. Não é só comigo. A maioria das pessoas comentam isso. Na falta do que fazer, faça amigos.
E apesar do trabalho ter sido na minha opinião um sucesso, a coisa que eu levo mais importante daqui foi a experiência de vida. Todo mundo, eu digo todo mundo!, devia tentar um dia ter uma experiência como essa. Alguns meses fora da sua rotina. Não precisa ser em outro país... a mudança é muito importante pro autoconhecimento...
A casa está vazia. Doei todos os meus pertences e agora só tenho as minhas roupas e um colchão para dormir. Amanhã será a minha festa de despedida. Devo juntar mais ou menos 25 pessoas num pub que tem aqui perto. Na terça ao meio dia eu tenho que devolver as chaves do apartamento. Ai de noite devo dormir na casa do Gustavo. Na quarta eu zarpo pro Brasil. Na quinta eu já acordo em solo nacional e sigo para o Rio onde eu devo pousar por volta das 2 da tarde. Feliz por poder voltar pra minha casa, pra minha mulher, pro meu colchão e pro meu travesseiro.
Feliz por estar com aquela sensação de dever cumprido.
Vou tentar escrever amanhã ainda e na terça e quarta... mas caso eu não consiga, queria deixar bem claro a minha satisfação de ter tido essa experiência. Agradecer ao apoio da galera ai de longe e dos meus amigos aqui de perto. Eu sei que ninguém vai ler essa baboseira toda, mas o lance é que isso aqui é uma despedida de mim pra mim mesmo.
Vou tentar não chorar, eu juro!
Vejo vocês em breve (praqueles leitores do Brasil) e vejo vocês por aí (para os leitores de Edmonton - tem algum?).
É meu filho,na vida a gente tem que ter muita coragem para experimentar as mudanças, só o tempo ira dizer o tanto que elas foram importantes para voce, deixou a marca que valeu e muito a pena e que voce fez por merecer viver isto.Agora estamos ansiosos esperando por voce.
ResponderExcluirTe amo muito. Tenho muito orgulho de voce.
Até quinta.
Beijos.
A nossa casa nunca ficará vazia, porque mesmo não estando cheia de móveis, a casa que a gente leva junto vai enchendo, enchendo... e o legal de tudo isso é que, eternamente, estamos fazendo uma reforma para que possa entrar mais um um comôdo para guardar os nossos pertences. E casa de Edmonton virá para o Brasil e nunca mais te deixará!!!
ResponderExcluirQuantas casas você ainda vai construir, Nano?
Beijoss, boa viagem!!!
Tem leitor em Edmonton sim, e ela leu o texto inteirinho. A leitora de Edmonton discorda de muita coisa que você descreveu sobre a cidade, mas é certamente o ponto de vista de quem viveu histórias de vida diferentes (graças a deus, né!). :)
ResponderExcluirVai ficar um lugar vazio aqui... o seu lugar no Hub vai ser preenchido, mas o lugar da sua amizade nos corações de quem fica jamais será preenchido. (agora quem, com lágrimas nos olhos, se segura pra não chorar sou eu.. hehehe).
Vá com deus e vê se volta.
Bjim
Ehhh meu irmãoooo... tanto tempo sem vir aqui e me deparo com tantas coisas legais, tantos relatos bonitos, cheio de emoção e experiências... como não poderia deixar de ser, a bobona da sua irmã aqui está morrendo de chorar... chorando de saudade, chorando de alegria, chorando de ORGULHO... chorando até com um pouquinho de inveja de querer fazer isso, mas no momento não poder... viver um tempo fora da rotina, em outro lugar, conhecer pessoas novas... Acho que o meu orgulho por vc tem um pouco de realização própria... rsrsrsrsrs
ResponderExcluirFico feliz de te ver vivendo tudo isso e poder acompanhar, mesmo que a distância.. cada frase que leio, acho q viajo na imaginação, pensando cada coisa que vc escreveu aqui... Tô imaginando a hora que vc fechar a porta do apartamento que te acolheu pela última vez.. com certeza a lágrima vai rolar... mas adorei o que a Gam falou: "Quantas casas vc ainda vai construir??"...
É só a 1a de mtassss outras que virão na sua vida... com certeza, dps desse amadurecimento, tudo que vc viver vai ter um ângulo diferente...
Fico feliz por vc estar com a sensação de dever cumprido e tbm por ver q os cientistas brasileiros "fodas", que conseguem correr atrás do que querem, mesmo que com menos condições... e sei que os cientistas da minha vida (vc e Fernandinha) são exemplo disso...
VEM COM DEUS MEU IRMÃO... E GUARDA TUDOOOO QUE VC VIVEU AÍ DENTRO DO SEU CORAÇÃO... E eu estou loucaaaaaaa pra ouvir ao vivo as narrativas da sua viagem...
TE AMO MTOOOOOOOOOOOOOOOO!!!! MEU ORGULHOOOOO!!!!
Bjãoooooooo
Tu é bão, tu é bão e é meu irmão. Feliz demais por você ter se realizado aí. Não resisti e voltei para ler esse (longo) texto!
ResponderExcluirAbs.