Emilio vai para o ASPSP
Você pode encontrar mais fotos da minha viagem aqui: http://www.flickr.com/photos/e-lanna/
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Dia 4 - O dia em que eu nadei com golfinhos
O quarto dia já se foi.
Comparado ao de ontem, o dia foi ótimo. Não que o de ontem tivesse sido ruim, mas o dia hoje superou todas as expectativas.
Se ontem a chuva encheu o saco e a água doce e a salgada acabaram, hoje foi diferente.
Bom, nem tão diferente assim. Ao acordar por volta das seis, consegui essa façanha, pois a noite ventava muito e tivemos que fechar as janelas, fui pro telhado para lavar os painéis com o Leandro. Caia uma fina chuva que dava nos "nelvo". Painéis limpos, deixamos o sol bater para poder carregar um pouco as baterias. A chuva continuou, mas a claridade fez o papel dela. O problema é que não tinhamos nem água doce, nem água salgada pra fazer a doce. Por um instante ficamos totalmente sem agua! E depois que a caixa começou a encher, ficamos preocupados pois a agua nao descia. Mas isso durou só alguns minutos.
Enquanto fazíamos água doce, saímos pra andar no bote inflável. Fomos só lá no Transmar I que fica amarrado em uma poita a uns 200 m aqui da ilha. Depois demos uma volta na ilha, que durou mais ou menos uns 5 minutos e logo em seguida mergulhamos num ponto que se chama "Naufrágio". O Naufrágio em si é só uma âncora grandona que está deitada no fundo rochoso e alguns pedaços de algum navio que aqui bateu a algum tempo. Muitos peixinhos legais e mtas fotos bonitas.
Depois dessa rápida apnéia, subimos no bote e quando estávamos retornando pra estação, eu avistei um grupo de golfinhos saltitando a uns 30 metros de onde estávamos. O Esequiel rapidamente pegou o bote e nos levou até lá. Chegando lá, colocamos máscara e pé de pato e caímos na água. Foram 10 minutos de transe espiritual. A realização de mais um sonho aconteceu. Os enormes golfinhos passaram a menos de 1 metro de mim. Rápidos e ligeiros que só. A máquina embassou e as fotos não ficaram ótimas como eu queria. Além disso, tem o fato de ter juntado a emoção né?
A essa altura o sol já estava a toda. O tempo abriu e as nossas baterias (no sentido literal e no sentido figurado) foram recarregadas. :)
De tarde mergulhei aqui na Enseada pra coletar os invertebrados que viemos buscar aqui. Muitas esponjas e poliquetos. Além disso, o Leandro encontrou um enorme pepino-do-mar.
Com as caixas cheias e as baterias funcionando a todo vapor, vou poder dormir um sono bem leve hoje e sonhar com os golfinhos e o lindo céu estrelado que faz lá fora.
Só o calor que está demais! O vento parou total! Sinal de que amanhã vai dar um mergulhão!!!
Abraços.
Ah, vejam as fotos no endereço que tem aí: http://www.flickr.com/photos/e-lanna/ - elas estão sem legenda, mas dá pra ter uma idéia do que que tá acontecendo aqui.
terça-feira, 26 de abril de 2011
Dia 3 - Muita chuva, mergulho e o dia em que o atobá me mordeu
Meus amigos,
Terceiro dia aqui na ilha. A noite foi um pouco tensa! Muita chuva e as ondas que batiam na ilha chegavam a estremecer a casa. Aí, tivemos que fechar as janelas que estavam abertas, mas o cheiro do cocô dos atobás na janela fedia tanto que deixamos a chuva entrar pela janela. Acordei com o sol nascendo! Fotografei uma bela sequencia e voltei a dormir.
Aí foi a rotina de lavar o telhado pra tirar o cocô dos atobás das placas que fazem a energia solar. Tarefa das mais fáceis. Aí ficamos olhando o tempo todo pras baterias, querendo saber se elas estão carregando. Ontem a noite a água doce tinha acabado e a energia nas baterias era essencial para fazermos água doce pra hoje. O sol não aparecia e as baterias ficavam ali... chorando pra serem carregadas. Ai o sol abriu! As meninas chegaram do barco e o Leandro se animou pra mergulhar. Um dos pescadores resolveu nos ajudar e encarou os atobás para colocar a água pra fazer. Mais tarde saberíamos que isso foi um erro!
Mas vamos ao que interessa! Eu e o Leandro nos equipamos e nos direcionamos pro mar. Em frente a varanda aqui de casa tem um pierzinho. 15 passos e estou dentro dágua. A água mais clara e transparente que eu já vi na minha vida. Muitos peixes coloridos e muitas pedras pra procurar esponjas e outros invertebrados. Eu e o Leandro nos separamos e cada um foi pra um lado procurar as coisas. O impressionante é que mesmo a uns 20 m um do outro, era possível ver com nitidez o outro. Fantástico. A coleta foi proveitosa e conseguimos um bom numero de amostras. No fim, ainda vimos uma barracuda, um dos peixes mais temidos do oceano.
Ai saimos da água e viemos almoçar. As meninas prepararm um “peixe-de-coco”, macaxeira frita e uma deliciosa salada. Isso tudo regado a um suco de cajá. Quem disse que estamos no meio do nada?Depois do almoço começamos a nossa briga com o dessalinizador. Subimos a trilha dos atobás para desligar o aparelho que o Márcio tinha ligado antes de mergulharmos. Isso quase duas horas depois. A gente achava que a caixa de água doce ia tá cheia, mas estávamos enganados. Ela estava vaziinha. O cara falou pras meninas que sabia como ele funcionava, mas estava enganado. Resultado: tivemos que fazer a água doce “de novo”. Mas aí, o tempo já tava virado e o sol já não carregava as baterias. Consumimos um monte de energia e ainda assim não deu pra encher a caixa de água doce. Quando eu fui desligar o aparelho ainda levei uma bicada de um atobá desgraçado bem na ponta do dedo. Fez um pequeno corte, mas o susto foi pior ainda!
Agora de noite lanchamos e assistimos ao filme do Indiana Jones e a Arca Perdida. Bom pra gente descansar e relaxar pra amanhã! O tempo ainda não tá legal não, mas eu espero que isso passe logo!
Continuo com problemas para fazer o upload das fotos. Vou tentar resolver isso em breve!
Vamos nessa.
Abraços pra todos.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Diário de bordo: Dias -4 a 2
Saímos de Natal navegando no tranquilo rio Potengi na quinta-feira, dia 21 de abril de 2011. Os primeiros 30 min de navegação foram tranquilos. Fiz questão de frisar 30 minutos, pq logo depois que saimos da barra, as ondas começaram a bater. E batiam muito. Era um balança pra lá, um balança pra cá... e onda entrando no convés do barco e lavando tudo... cuidado ai menino... tchuaaaaaaaa.... emocionante! Mas não chegava a ser uma tempestade tropical daquelas que viram navios. Mas seria o suficiente para virar estômagos mais fracos. Não o meu! Eu tomei um remédio chamado Stugeron, sugerido pelos meus queridos companheiros e fiquei o tempo todo no convés, escondidinho da chuva. E foi lá que passei o dia todo. Conversando com os pescadores que toda hora me questionavam se eu não ia dormir. Lá dentro, na cabine, fazia um frio desgraçado (por causa do ar condicionado geladão), era tudo fechado e o beliche parecia mais um caixão do que uma cama. Fiquei enrolando nessa até umas 11 e pouca da noite, qdo entrei na cabine e dormi que nem um anjo.
Na sexta-da-paixão, dia 22 de abril, o mar se acalmou. Abriu um lindo dia de sol e a motivação do dia foi Noronha. Aquela bela ilha surgiu no horizonte mais ou menos 10h da manhã, mas só passamos ao largo dela qdo eram mais ou menos 2 da tarde. No mar, tudo é mais lento... hehehe... Pra vcs terem uma idéia, o arquipélago fica a 1100 km da costa de Natal, ou seja, o mesmo que do Rio para Brasilia. Só que no mar, a velocidade média que fazemos é de aproximadamente 13-14 km por hora. Por isso levamos 4 dias de viagem. Por isso, uma viagem longa assim de barco é tão cansativa... por isso, pequenas coisas que aparecem, como a ilha de Noronha, um monte de golfinhos saltitantes e um belo por-do-sol em alto mar, fazem com que o segundo dia de uma longa viagem seja um dia feliz, com bom humor de todos!!!
Mas no sábado, o marasmo dominou. O mar voltou a ficar mexido e o mais emocionante acontecimento do dia foi o sobrevoo de um atobá e de uma viuvinha. Dois pássaros perdidos no meio do Oceano Atlântico. Como? Sei lá. Eles devem estar perdidos por ai! Além desses pássaros, tivemos também uma deliciosa sopa de macarrão preparada pelo Seu Sebá, que faz maravilhas em uma cozinha de pouco mais de um metro quadrado e com o chão balançando o tempo todo. E você aí reclamando que sua cozinha é apertada e por isso você não cozinha direito... francamente!
No quarto dia de viagem a ansiedade predominou. Acordei e fui direto pra parte mais alta do barco pra ver se eu via o Arquipélago. Fui conversando um bom tempo com o meu camarada Leandro e o flamenguista pescador Da Lua. A conversa foi rolando enquanto observavamos algas formando grumos que indicavam a proximidade com a terra firme. Além disso, encontramos uma boia perdida que logo foi içada para o convés. Além disso, vimos um belo exemplar de uma caravela - aquela agua viva que queima mais que fogo! Que dia longo. Dava 10 da noite, mas não dava meio-dia!!! Nessa altura, eu, Leandro, Poli e Mariana já estavamos amigos íntimos. Parecia que nos conhecíamos a anos, mas na verdade era apenas uma semana. Lá no horizonte surgiu um vulto preto, que mais parecia um navio visto de lado. Era o Arquipélago. "Eba! tamo chegando!" Mas como eu disse antes, no mar as coisas são um pouco mais lentas...
#DIA 1#
2 horas depois chegamos no Arquipélago com o mar bastante agitado. Uma operação náutica que exigiu um pouco da experiência dos nossos eximios pescadores que nos colocaram em terra são e salvos, apesar de molhados. Fomos recebidos pela Maíra e pela Iara (pesquisadores da FURG que trabalham com tartarugas) e por dois militares - que eu não me recordo o nome, pois eles nao se preocuparam em interagir com a gente! Conversamos por 30 minutos, qdo o barco delas (o Transmar III) finalmente partiu! Mas nem deu tempo de curtir tristeza. Com elas saindo, o pessoal do Transmar I já começou a trazer nossas coisas. Sobe bolsa, sobe cilindros de mergulho, sobe as compras, sobe garrafões de água. Tudo isso num pierzinho que mais parece uma prancha. Depois de muito suor embaixo de uma chuva desgraçada, terminamos de arrumar as coisas na casa e paramos para apreciar a vista.
As ondas batiam sem parar, mas no meio delas deu pra ver tartarugas que vivem aqui na enseada em frente de casa e os golfinhos que vivem pelo lado de fora da enseada. Que coisa linda!!! Papo vai, papo vem, o sol abriu e fomos dar uma volta de reconhecimento na ilha. 10 minutos bastaram para vermos como ela é inóspita. É pedra pra tudo quanto é lado. Além de pedra tem os caranguejos que saem correndo da gente, tem as viuvinhas que ficam na delas e tem os atobás, passáros malditos que nos bicam quando passamos perto dos ninhos deles. De noite eu preparei o jantar pra gente. Bebemos uma cerveja trazida direto do continente e fomos dormir, todos exaustos e felizes de termos abandonado os caixõezinhos do barco que foi nossa dormida nos últimos três dias...
#DIA 2# HOJE
Acordei aproximadamente as 5 e meia (horário do continente) com o sol na minha cara. Uma bela aurora com uma bola de fogo saindo do meio do mar. Aí fui com o pessoal pra cima da casa para limparmos as placas que captam a energia solar e depois desci para tomar café. Como o mar estava agitado desde ontem, não deu para nos prepararmos para mergulhar e fazer o nosso trabalho. Fazer o que né? As meninas foram logo cedinho para o barco, pois elas trabalham com pesca e foram coletar amostras que os pescadores pescaram ontem (quanto "pesc" na mesma frase, não?). Eu e o Leandro ficamos com a Missão Impossível! Para aqueles que curtem as minhas aventuras, aqui vai mais uma. A água doce que usamos para lavar roupa, a mão, a louça e tomar banho, vem de um aparelho chamado dessalinizador. O dessalinizador fica numa parte mais alta da ilha e por isso precisamos pegar uma trilha, que nada mais é do que uns 10 metros. Fácil né? Não! Acontece que os FDP dos atobás fazem os ninhos dele nessa trilha e para chegarmos lá temos que passar por cima deles. Mas cada um tenta te dar uma bicada, e mesmo antes de chegarmos aqui, já havíamos ouvido que ela doi! Resultado: pegamos uma vassoura cada um, vestimos botas de borracha, respiramos fundo e fomos encarar as malditas das aves. Hoje ninguém se feriu, nem aves nem humanos. Amanhã já não posso garantir! Fizemos a água doce e descemos felizes e contentes!
Ai empacotei meu computador com aquele papel filme. A maresia aqui é coisa de louco. As ondas batem ali na pedra e tremem a casa, pq é tudo mto perto! Com isso, uma nuvem de água salgada se espalha pelo ar e se der mole vai corroer tudo. Por isso a casa é toda planejada para aguentar essa intempérie da natureza. Mas isso eu falo em outro texto.
Nós almoçamos e depois do almoço demos um mergulho na enseada. A barriga estava cheia e por isso ficamos pouco tempo. Mas foi a água mais transparente que eu vi em toda a minha vida! Sério mesmo! Foram uns 15-20 minutos de alegria intensa. Tô doido para mergulhar com o cilindro para podermos ficar mto tempo no fundo dessa água cristalina!!!
Vamos torcer por mar acalmar!
Hoje eu não consegui colocar as fotos pq a internet não está colaborando. O que que eu queria tb? Estou no meio do nada, esquina com o porra nenhuma, e ainda tem internet!!! Fantástico.
O dia está acabando com uma notícia bem ruim, pois fiquei sabendo que meu amado padrasto, mais conhecido como Tio Neves, teve um probleminha de saúde, mas está se recuperando bem! Daqui do meio do Atlântico mando todas as minhas energias positivas pra ele!!!
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Prontos para zarpar
Depois de uma semana bastante conturbada, onde a possibilidade de não embarcar para o Arquipélago de São Pedro e São Paulo (ASPSP) foi bem grande, estamos com tudo prontos para entrarmos no Transmar III e zarpar em direção à ilha.
Encontramos algumas falhas de comunicação e algumas coisas bem chatas que não esperávamos, mas no fim, tudo deu certo.
Além de mim, que vocês já conhecem, estão indo o Leandro (um amigo lá da UFRJ) e duas meninas que conhecemos aqui: a paulista Mariana (que está radicada em Recife) e a Poliana que é recifense. Elas são bem legais e acredito que a gente não vai ter problemas no BBB que começa a partir de amanhã.
Iremos em um barco de pesca que foi adaptado para levar os pesquisadores até o ASPSP. Ele não é muito grande, mas é o suficiente para nos levar até lá com segurança. Aprendi aqui que serão 8 pescadores com a gente. Cada um com uma função. A promessa é de que a comida é mto boa, mas que comeremos de tudo. Também iremos dormir em camas que são verdadeiras gavetinhas e que a probabilidade de enjôo é bem grande. Também, serão 4 dias de mar (3 noites provavelmente mal dormidas). Enfim, a ansiedade já veio, já foi embora, já voltou.
Depois de sairmos daqui ficaremos esses dias todos sem muito contato com o continente. Somente quando chegarmos na ilha é que teremos acesso ao telefone (via embratel... hehehe) e, talvez quem sabe, internet. Caso a internet esteja sempre funcionando, as atualizações serão mais constantes. Caso não esteja, vou salvar um diário e irei colocar aqui depois.
Um grande abraço e até logo.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Muito tempo depois...
Praqueles que assinaram o feed, vão se assustar quando pegarem um texto no Emilio in Edmonton.
Como assim? Ele já voltou de lá tem quase um ano e agora vem outra postagem.
Pois bem,
Acho que vou mudar o título do blog. Agora vamos falar de viagens... diários de viagens.
Falta pouco mais do que 15 dias pra eu partir pra uma nova jornada! A jornada talvez seja mais árdua do que foi Edmontão boladão. Não, lá não neva, lá não tem uma língua diferente, nem costumes diferentes. Não há uma cultura pra eu explorar. Na verdade, pra onde eu vou, não vai ter nada! A não ser quatro bravos brasileiros indo pro meio do nada, perto do porra nenhuma, pra garantir a soberania nacional em águas que seriam consideradas internacionais...
Mas isso é só uma introdução pro que vem ai!
Aguardem!!! Isso aqui vai voltar a ser movimentado!!!
Abraços
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Hub Mall, foi bom te conhecer
Não é a primeira vez que eu tô fazendo uma mudança e tenho certeza que não será a última. Mas hoje quando voltava do bar onde me encontrei com o pessoal, subi as escadas pensando "essa é definitivamente a última vez que eu volto de um pub pra essa casa!"
Ai cheguei aqui, terminei de limpar a geladeira, o banheiro e estou indo dormir.
As coisas já estão todas nas malas.
A festa do "até breve" foi muito legal. Juntei bastante gente legal que fez com que a minha vida aqui fosse bem mais sossegada.
Amanhã eu termino tudo que tinha pra fazer no laboratório. Amanhã eu fecho a minha conta no banco, devolvo o modem para a empresa de telefone de onde eu peguei a internet. Ai vai faltar devolver uns livros que eu peguei na biblioteca e estarei sem laços algum com Edmonton.
Hoje eu ouvi de um monte de gente as árduas palavras "Por favor, não vai não!", "Fica mais um pouco", "Eu vou sentir sua falta"...
Isso me faz lembrar do meu aniversário no ano passado. Quando após todos os meus amigos irem embora lá de casa eu sentei numa cadeira e chorei pra caramba. Chorei de felicidade. Chorei porque eu sou um cara muito feliz. Porque eu tenho tudo que eu preciso pra ser feliz. Eu não preciso de um carrão, de morar em Ipanema e comer caviar. Não preciso viajar pra Europa todo ano e não preciso de usar roupas caras. Eu chorei naquele dia porque eu percebi que o meu maior tesouro são os meus amigos. E conhecer pessoas e ter bons momentos com elas é uma das coisas que eu mais aprecio.
O bom de ficar longe da sua rotina e de se distanciar de todos aqueles que você conhece a algum tempo é que você aumenta bastante o seu autoconhecimento. Eu posso ser desastrado, não ser o melhor craque do futebol, ser péssimo em jogos eletrônicos. Mas tenho uma habilidade que me orgulho muito: a de fazer amigos!
:)
Mais uma noite e estarei voltando pra casa.
domingo, 27 de junho de 2010
Último fim de semana
Pra muitos, especialmente a Fernandinha, essa viagem não foi curta não.
Pra mim é um mixto de que passou voando e ao mesmo tempo parece que eu moro aqui faz séculos. Estou tão acostumado com a cidade que me sinto um cidadão edmontoniano. Sei que ruas pegar pra ir pra não sei onde, sei quais os ônibus são melhores pra pegar em tal hora, onde ficam tais lojas, as marcas dos produtos do supermercado.
Só nãos sei como esses caras nomeiam as carnes deles e não sei porque o frango aqui é tão caro.
Também não sei porque esses caras insistem em não poder beber cerveja na rua, pois só é permitido tomar qualquer coisa alcólica dentro de estabelecimentos legalizados para tal. Até comprar cerveja não é fácil. Você tem que ir numa loja especializada em bebidas alcólicas, tem que ser maior de 21 anos e dar sorte de ter uma loja perto de você. Cerveja no supermercado? Nem em sonho!!! Se um dia um de vcs vierem à Edmonton não bebam Kokannee, Bud light, HoneyBrown. São cervejas tão ruins quanto Bavaria e Glacial, mas ainda assim são caras. Mas a galera aqui alopra também. Nego bebe muito e com o frio que faz, é até melhor nego não beber na rua. Ia morrer congelado!!!
A cidade é a capital do estado de Alberta apesar de Calgary, mais ao sul, ser a cidade mais rica e mais importante dessa província. Edmonton vive principalmente do petróleo extraído ao seu redor. A eletricidade aqui é gerada a partir da queima de carvão (termoelétricas). A cidade era dividida em duas: Strathcona e Edmonton e elas eram separadas pelo rio Saskatchwean. A um tempo atrás um rapaz resolveu que a cidade devia se juntar e construiu várias pontes para juntar os dois lados do rio. O centro da cidade fica do lado norte, onde alguns amigos moram, tem o centro comercial, alguns shoppings e alguma badalação. Eu moro no lado sul, onde fica a universidade, a principal avenida da badalação da cidade e a maioria dos meus amigos.
Aqui tem muito chinês. Muito frio no inverno, muita gente diferente e pouca coisa pra fazer. Aqui não tem vista bonita, não tem praia e não tem montanha pra fazer snowboard. Aqui não tem parques espetaculares, não tem muitas atrações turísticas e o time de hockey é uma bosta. Aqui as coisas nem são tão mais baratas, o café é fraco e o feijão é quase inexistente. A cerveja é cara, não toca samba e não tem as pessoas que eu amo por perto. Por aqui a gente tem que se esforçar pra falar inglês e entender essa língua tão diferente da nossa. Em Edmonton tudo é plano e organizado em quadras, uma certa monotonia no ar. Essa cidade não tem cheiros característicos, não tem cores características, não tem comidas características. Nem muito barulho essa merda tem. Nessa cidade todo mundo reclama porque tá aqui e todo mundo acha que podia ser melhor!!! Por isso, tato, paladar, olfato, visão e audição não são muito utilizados por aqui.
Mas na ausência de tudo isso que eu falei ali em cima, na ausência do funcionamento dos 5 sentidos, um sexto (ou seria o sétimo? sei lá!) sentido se expressa. O da convivência.
Eu li todos os meus textos desse blog outro dia. E vi que depois do carnaval a minha vida mudou completamente. As inúmeras pessoas que eu conheci a partir daquele dia mudaram a minha vida. Eu sei que daqui a alguns dias voltando a rotina no Rio eu vou até deixar um pouco essa estranha sensação de lado. Na ausência dos 5 sentidos, o sexto sentido da amizade aparece e reina fácil. Não é só comigo. A maioria das pessoas comentam isso. Na falta do que fazer, faça amigos.
E apesar do trabalho ter sido na minha opinião um sucesso, a coisa que eu levo mais importante daqui foi a experiência de vida. Todo mundo, eu digo todo mundo!, devia tentar um dia ter uma experiência como essa. Alguns meses fora da sua rotina. Não precisa ser em outro país... a mudança é muito importante pro autoconhecimento...
A casa está vazia. Doei todos os meus pertences e agora só tenho as minhas roupas e um colchão para dormir. Amanhã será a minha festa de despedida. Devo juntar mais ou menos 25 pessoas num pub que tem aqui perto. Na terça ao meio dia eu tenho que devolver as chaves do apartamento. Ai de noite devo dormir na casa do Gustavo. Na quarta eu zarpo pro Brasil. Na quinta eu já acordo em solo nacional e sigo para o Rio onde eu devo pousar por volta das 2 da tarde. Feliz por poder voltar pra minha casa, pra minha mulher, pro meu colchão e pro meu travesseiro.
Feliz por estar com aquela sensação de dever cumprido.
Vou tentar escrever amanhã ainda e na terça e quarta... mas caso eu não consiga, queria deixar bem claro a minha satisfação de ter tido essa experiência. Agradecer ao apoio da galera ai de longe e dos meus amigos aqui de perto. Eu sei que ninguém vai ler essa baboseira toda, mas o lance é que isso aqui é uma despedida de mim pra mim mesmo.
Vou tentar não chorar, eu juro!
Vejo vocês em breve (praqueles leitores do Brasil) e vejo vocês por aí (para os leitores de Edmonton - tem algum?).