Você pode encontrar mais fotos da minha viagem aqui: http://www.flickr.com/photos/e-lanna/
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Hub Mall, foi bom te conhecer
Não é a primeira vez que eu tô fazendo uma mudança e tenho certeza que não será a última. Mas hoje quando voltava do bar onde me encontrei com o pessoal, subi as escadas pensando "essa é definitivamente a última vez que eu volto de um pub pra essa casa!"
Ai cheguei aqui, terminei de limpar a geladeira, o banheiro e estou indo dormir.
As coisas já estão todas nas malas.
A festa do "até breve" foi muito legal. Juntei bastante gente legal que fez com que a minha vida aqui fosse bem mais sossegada.
Amanhã eu termino tudo que tinha pra fazer no laboratório. Amanhã eu fecho a minha conta no banco, devolvo o modem para a empresa de telefone de onde eu peguei a internet. Ai vai faltar devolver uns livros que eu peguei na biblioteca e estarei sem laços algum com Edmonton.
Hoje eu ouvi de um monte de gente as árduas palavras "Por favor, não vai não!", "Fica mais um pouco", "Eu vou sentir sua falta"...
Isso me faz lembrar do meu aniversário no ano passado. Quando após todos os meus amigos irem embora lá de casa eu sentei numa cadeira e chorei pra caramba. Chorei de felicidade. Chorei porque eu sou um cara muito feliz. Porque eu tenho tudo que eu preciso pra ser feliz. Eu não preciso de um carrão, de morar em Ipanema e comer caviar. Não preciso viajar pra Europa todo ano e não preciso de usar roupas caras. Eu chorei naquele dia porque eu percebi que o meu maior tesouro são os meus amigos. E conhecer pessoas e ter bons momentos com elas é uma das coisas que eu mais aprecio.
O bom de ficar longe da sua rotina e de se distanciar de todos aqueles que você conhece a algum tempo é que você aumenta bastante o seu autoconhecimento. Eu posso ser desastrado, não ser o melhor craque do futebol, ser péssimo em jogos eletrônicos. Mas tenho uma habilidade que me orgulho muito: a de fazer amigos!
:)
Mais uma noite e estarei voltando pra casa.
domingo, 27 de junho de 2010
Último fim de semana
Pra muitos, especialmente a Fernandinha, essa viagem não foi curta não.
Pra mim é um mixto de que passou voando e ao mesmo tempo parece que eu moro aqui faz séculos. Estou tão acostumado com a cidade que me sinto um cidadão edmontoniano. Sei que ruas pegar pra ir pra não sei onde, sei quais os ônibus são melhores pra pegar em tal hora, onde ficam tais lojas, as marcas dos produtos do supermercado.
Só nãos sei como esses caras nomeiam as carnes deles e não sei porque o frango aqui é tão caro.
Também não sei porque esses caras insistem em não poder beber cerveja na rua, pois só é permitido tomar qualquer coisa alcólica dentro de estabelecimentos legalizados para tal. Até comprar cerveja não é fácil. Você tem que ir numa loja especializada em bebidas alcólicas, tem que ser maior de 21 anos e dar sorte de ter uma loja perto de você. Cerveja no supermercado? Nem em sonho!!! Se um dia um de vcs vierem à Edmonton não bebam Kokannee, Bud light, HoneyBrown. São cervejas tão ruins quanto Bavaria e Glacial, mas ainda assim são caras. Mas a galera aqui alopra também. Nego bebe muito e com o frio que faz, é até melhor nego não beber na rua. Ia morrer congelado!!!
A cidade é a capital do estado de Alberta apesar de Calgary, mais ao sul, ser a cidade mais rica e mais importante dessa província. Edmonton vive principalmente do petróleo extraído ao seu redor. A eletricidade aqui é gerada a partir da queima de carvão (termoelétricas). A cidade era dividida em duas: Strathcona e Edmonton e elas eram separadas pelo rio Saskatchwean. A um tempo atrás um rapaz resolveu que a cidade devia se juntar e construiu várias pontes para juntar os dois lados do rio. O centro da cidade fica do lado norte, onde alguns amigos moram, tem o centro comercial, alguns shoppings e alguma badalação. Eu moro no lado sul, onde fica a universidade, a principal avenida da badalação da cidade e a maioria dos meus amigos.
Aqui tem muito chinês. Muito frio no inverno, muita gente diferente e pouca coisa pra fazer. Aqui não tem vista bonita, não tem praia e não tem montanha pra fazer snowboard. Aqui não tem parques espetaculares, não tem muitas atrações turísticas e o time de hockey é uma bosta. Aqui as coisas nem são tão mais baratas, o café é fraco e o feijão é quase inexistente. A cerveja é cara, não toca samba e não tem as pessoas que eu amo por perto. Por aqui a gente tem que se esforçar pra falar inglês e entender essa língua tão diferente da nossa. Em Edmonton tudo é plano e organizado em quadras, uma certa monotonia no ar. Essa cidade não tem cheiros característicos, não tem cores características, não tem comidas características. Nem muito barulho essa merda tem. Nessa cidade todo mundo reclama porque tá aqui e todo mundo acha que podia ser melhor!!! Por isso, tato, paladar, olfato, visão e audição não são muito utilizados por aqui.
Mas na ausência de tudo isso que eu falei ali em cima, na ausência do funcionamento dos 5 sentidos, um sexto (ou seria o sétimo? sei lá!) sentido se expressa. O da convivência.
Eu li todos os meus textos desse blog outro dia. E vi que depois do carnaval a minha vida mudou completamente. As inúmeras pessoas que eu conheci a partir daquele dia mudaram a minha vida. Eu sei que daqui a alguns dias voltando a rotina no Rio eu vou até deixar um pouco essa estranha sensação de lado. Na ausência dos 5 sentidos, o sexto sentido da amizade aparece e reina fácil. Não é só comigo. A maioria das pessoas comentam isso. Na falta do que fazer, faça amigos.
E apesar do trabalho ter sido na minha opinião um sucesso, a coisa que eu levo mais importante daqui foi a experiência de vida. Todo mundo, eu digo todo mundo!, devia tentar um dia ter uma experiência como essa. Alguns meses fora da sua rotina. Não precisa ser em outro país... a mudança é muito importante pro autoconhecimento...
A casa está vazia. Doei todos os meus pertences e agora só tenho as minhas roupas e um colchão para dormir. Amanhã será a minha festa de despedida. Devo juntar mais ou menos 25 pessoas num pub que tem aqui perto. Na terça ao meio dia eu tenho que devolver as chaves do apartamento. Ai de noite devo dormir na casa do Gustavo. Na quarta eu zarpo pro Brasil. Na quinta eu já acordo em solo nacional e sigo para o Rio onde eu devo pousar por volta das 2 da tarde. Feliz por poder voltar pra minha casa, pra minha mulher, pro meu colchão e pro meu travesseiro.
Feliz por estar com aquela sensação de dever cumprido.
Vou tentar escrever amanhã ainda e na terça e quarta... mas caso eu não consiga, queria deixar bem claro a minha satisfação de ter tido essa experiência. Agradecer ao apoio da galera ai de longe e dos meus amigos aqui de perto. Eu sei que ninguém vai ler essa baboseira toda, mas o lance é que isso aqui é uma despedida de mim pra mim mesmo.
Vou tentar não chorar, eu juro!
Vejo vocês em breve (praqueles leitores do Brasil) e vejo vocês por aí (para os leitores de Edmonton - tem algum?).
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Somente uma semana
Em bom português: porra, mais que merda! Só se fala disso por aqui. hehee... Então vamos mudar de assunto e vamos falar de mudança ou de outras coisas, pq falta apenas uma semana pra eu estar em terras brasileiras.
Em Edmonton tudo muda do inverno pro verão.
A cidade é outra.
As árvores tem folhas verdes e as flores que coloriam a cidade agora deram lugares aos frutos. Tudo muito bonitinho do jeito que a gente aprende na escola, não aquela bagunça que a gente vê ai nos trópicos. Mesmo as maple-trees agora estão verdinhas e aquela folha símbolo do Canadá não está mais vermelha. Aliás, eu tenho que roubar uma de uma árvore que tem lá perto do lab pra poder guardar de recordação.
No verão, os veículos são diferentes. Quando cheguei a maior parte dos carros eram caminhonetes e utilitários, mas agora o que mais se vê pelas ruas são esportivos e conversíveis. Outra coisa que é fantástica é a quantidade de motos. Isso porque no inverno é proibido dirigir motos. Além do frio escruciante, é muito perigoso.
Falando em perigoso, aqui em Edmonton você não é obrigado por lei a pedalar com capacete. Mas mesmo assim todo mundo usa um capacete quando está andando de bicicleta. As bikes, por sinal, andam na rua como se fossem automóveis, com as pessoas fazendo sinais para dobrar à direita ou à esquerda e parando nos sinais.
Falando em sinal, se você for pego atravessando a rua sem ser na faixa de pedestres quando o sinal está aberto pra você, o guarda vai te dar uma multa bem salgada. As pessoas que atravessam a rua fora da faixa de pedestres são chamados de "J-walkers" (não sei o porque do J). Por isso, geralmente se anda um pouco mais pra atravessar a rua, mas tarde da noite ou em ruas pouco movimentadas a gente atravessa sem problemas.
É extremamente proíbido fumar em locais fechados e só é permitido fumar na rua a pelo menos 5 metros de distância das portas. Isso porque durante o inverno, quando se abre a porta o ar entra e se um filha-da-puta estiver fumando na porta vai todo mundo dentro do prédio fumar junto! E é tão bom sair de noite e ir prum bar e ao voltar pra casa não se sentir como um cinzeiro.
O sistema de transporte é muito bom. A passagem é relativamente cara (2.75 dolares canadenses), mas você recebe um tiquete que te permite usar outros ônibus num intervalo de duas horas. Você pode usar esse tiquete para andar no metrô tb. O ônibus não tem cobrador e você precisa pagar a passagem com o dinheiro trocado - 2 e 75 em moedas ou nada feito. No metrô você compra o tíquete numa máquina que te dá o troco (aí você pode usar moedas ou até notas de 20 CADs). Não tem guichê, muito menos roleta. Você pode entrar sem pagar, descer até a estação e pegar o trem. O problema, novamente, é que a multa se você for pego sem ter o tíquete é astronômica. Mas durante esses 5 meses eu só vi fiscalização uma vez quando eu tava voltando do cinema com um amigo e era mais ou menos 1h da manhã. Mesmo assim, todo mundo compra o tíquete antes de embarcar.
O dinheiro aqui do Canadá é o dólar canadense (CAD). Hoje a cotação dele é de aproximadamente 1 pra R$1,75. Aqui tem moedas de 1 centavo (penny), 5 centavos, 10 centavos (dime), 25 centavos (quarter, talvez a moeda mais importante, pq se for num mercado, pra pegar um carrinho você precisa de 25 centavos pra tirar o carrinho e quando você devolve o carro ele cospe os 25 centavos de volta), 1 dolar (o looney) e 2 dólares (o toonie). Aí existem notas de 5 dólares (que tem umas crianças jogando hockey no verso), 10 dólares, 20 dólares (a mais comum, ela é verde e está em todos os lugares. Foi a nota que eu mais tive na minha carteira por aqui), 50 dólares (vermelha, talvez a mais bonita) e a de 100 dólares, que eu não me lembro a cor mas eu acho que é tipo a de 50 reais - tive só uma dessa logo que eu cheguei aqui!
E ao passar por todas essas mudanças e conhecer todas essas coisas diferentes desse lugar diferente não tinha como eu não mudar. O Emilio que está voltando pra casa não é o mesmo que saiu do Rio. Eu aprendi tanta coisa aqui e vivi tanta coisa diferente que é impossível ser o mesmo. Profissionalmente eu aprendi que os cientistas brasileiros fazem milagres com a pouca grana que eles possuem e que nós podemos surpreender o mundo quando nos dão oportunidades. A minha orientadora falou hoje na última reunião do lab que o laboratório vai ficar vazio sem ter eu trabalhando lá todo dia. Uma pósdoc com quem eu tô trabalhando falou que me deve 1 milhão de dólares porque eu consegui fazer funcionar os experimentos que ela e a Pam estavam tentando fazer a algum tempo e nunca funcionava. Elogios não faltaram e eu to indo pra casa com a sensação do dever cumprido e de que as portas estão abertas aqui pra mim. Aprendi também que nós cientistas brasileiros não temos que temer e colocar os outros cientistas num pedestal. Os gringos tem mais dinheiro, mas mesmo assim eles passam tanto aperto quanto a gente, cometem os mesmos erros, forçam as mesmas barras e tem artigos rejeitados da mesma maneira. As coisas são SIM mais fáceis aqui, mas mesmo assim não são moles e as pessoas dão valor ao dinheiro que elas tem pra fazer a pesquisa delas. Talvez seja um pouco isso que falta pra gente. Valorizar o nosso conhecimento e a oportunidade de gerá-lo.
Conhecendo gente do mundo inteiro você aprende que o mundo é um carocinho de feijão e todo mundo vive na parte branca - como diria minha amiga Thaís, a qual dentro em breve estarei encontrando novamente na cidade maravilhosa. Que você pode conhecer pessoas das mais diferentes culturas e mesmo assim fazer amizade com todas elas. E é legal quando você está pra ir embora e você vê que você é querido pela quantidade de "não vai embora não" que você ouve.
E é com essa sensação de dever cumprido que eu vou passar os últimos dias por aqui. Hoje eu cancelei minha internet em casa e meu telefone celular. Já doei todos os meus poucos pertences adquiridos em Edmonton para o meu bem viver e sábado ou domingo o casal que vai pegá-los vai passar aqui pra buscar. Comecei a empacotar as minhas coisas e amanhã tenho que começar a limpar a casa pois quero receber o dinheiro do seguro por completo. Tomei cerveja demais por aqui e acabei não gurdando um centavo. Por isso não esperem presentinhos... me desculpem, mas o que eu posso presenteá-los é com uma bela sessão de fotos e bastante história pra contar.
É... últimos dias... parecia que não ia chegar nunca! (voz do Faustão on:) "mais do que nunca" (voz do Faustão off) a tristeza de deixar os amigos e as experiencias vividas em Edmonton está sendo substituida pela ansiedade de chegar em casa e encontrar com todas as pessoas que eu amo nesse país tão complicado que é o nosso, mas tão lindo e adorável.
Mas deixa eu dormir... amanhã, sábado, domingo e segunda eu ainda tenho que trabalhar um bocado...
Vejo vocês em breve.
Emilio
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Sobre bisões, castores e amigos
Em setembro do ano passado, quando saiu o resultado do meu pedido da bolsa, eu não fazia a menor idéia do que me esperava no Canadá. Não sabia se o meu trabalho ia ser bom, não sabia como ia ser o meu relacionamento com a minha chefe, não sabia se eu ia aguentar a solidão e a distância daqueles que eu amo e não tinha muita certeza se ia conseguir fazer amigos por essas bandas.
Pois bem, o título desse texto fala sobre bisões. E isso está relacionado as minhas duas primeiras indagações que povoaram a minha mente antes de partir do Brasil. O trabalho e o relacionamento com a chefe. Bom, resumidamente, o meu trabalho aqui não poderia ter sido melhor (quer dizer, poderia sim, mas são outros 500). O laboratório tem uma boa estrutura, os estudantes que dividiram ele comigo durante esses 5 meses são brilhantes e muito muito batalhadores, o trabalho fluiu num passo muito bom e no final está rendendo bons frutos. Isso tudo se deve a uma orientação muito boa de uma pessoa muito simpática e muito legal. A professora Sally Leys. E aqui está a resposta pra minha segunda indagação: como seria o relacionamento com ela. E esse sim não podia ter sido melhor. Além de ser fã dela desde criancinha (cientificamente falando), agora eu sou fã da pessoa. Ela é muito gente fina, trata todo mundo da mesma maneira, ouve, conversa e indaga sobre tudo. Ela te coloca pra cima e faz com que você se sinta motivado pra trabalhar. Mais do que tudo, ela tentou fazer a minha estadia aqui a mais confortável possível. E ela conseguiu!
E o que que isso tem a ver com bisões? Simples, sábado passado ela e o marido pegaram eu e um outro estudante internacional que tá aqui no lab (o alemão Olli) e nos levaram para um parque nacional (Elk Island Park) para ver bisões e outros animais silvestres do Canadá. Não vi um urso sequer (nem era esperado), mas vi alguns bisões e castores em um lago. E foi uma tarde muito animada, com uma trilha legal e conversas sobre todos os assuntos. Muito divertido! Depois de me levar pra patinar em um lago congelado, pra Bamfield e Vancouver, acho que eu não podia estar mais agradecido por toda a hospitalidade que ela me ofereceu aqui.
Pra responder se eu ia aguentar ficar longe das pessoas que eu amo, eu preciso responder a última indagação. Novamente a palavra amigos volta a esse blog. Se não fosse por eles eu não conseguiria ter passado por esses meses todos tão bem como eu passei. Se não fosse por eles, eu não conseguiria ter aproveitado tanto a minha estadia por aqui como eu aproveitei. Se não fosse por eles eu não teria tido tantas risadas, bons momentos e oportunidades de fazer coisas diferentes. Pois nesse fim de semana, depois do Brasil ganhar da Costa do Marfim, nós fomos jogar boliche como uma forma de "festa de despedida" para esse que vos escreve. Eramos quase dez pessoas e foi estremamente divertido. Além dos meu amigos latinos, juntaram-se a nós uma menina da Itália que eu conheci no dia, a Pam (a aluna do lab que me ensinou tudo sobre biologia molecular e que pacientemente reviu os meus péssimos alinhamentos e "primers") e a minha amiga made-in-Japan Yuki. Fizemos alguns strikes, mas na verdade o mais legal foi tomar cerveja e falar bobagem usando sapatos da Mangueira (vejam fotos abaixo!).
Mas ao mesmo tempo que os amigos me deram tantas alegrias, eles também são os responsáveis por um sentimento assustador que é a incerteza (quase certeza de que não) voltaremos a nos ver. E hoje uma página importantíssima desse livro edmontoniense foi virada. Hoje saímos pela última vez eu, Levi e o Gustavo. As chances de isso acontecer de novo nessa cidade são remotíssimas. Pelo menos somos todos brasileiros do sudeste, o que facilita a possibilidade de um encontro futuro por essas bandas aí. Depois de nos despedirmos, o Levi atravessou a rua e vendo isso acontecer uma sensação de vazio tomou conta de mim... Pelo menos o Gustavo tava do meu lado e a gente ainda tinha um bom pedaço pra caminhar...
Nessa cidade você faz amigos como se fossem irmão. A necessidade de se unir a outras pessoas é enorme e a empatia vence qualquer coisa. Digo isso porque você se apega as pessoas de uma maneira tão rápida que você se pergunta como aquilo aconteceu. Você conhece uma pessoa na sexta, aí se encontram de novo no sábado, quando então vocês começam a conversar pelo Facebook e finalmente no domingo essa pessoa já tem uma ligação fortíssima com você. Não quero dizer que a partir daí você já faz amigos para se confessar. Você cria uma ligação de bons momentos... enfim, pra mim isso é um AMIGO. E com certeza eles são as coisas mais importantes que eu estou levando de volta pro Brasil.
Faltam 9 dias!

quarta-feira, 16 de junho de 2010
Copa do Mundo e 2 semanas
O fim nunca esteve tão perto. A essa hora em duas semanas eu provavelmente estarei em Toronto esperando o cata-corno pra voltar pra Terra Brasilis. "Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá".
Essa experiência aqui serviu pra duas coisas: a primeira é que você aprende a dar valor a todas as coisas boas que o nosso belo e imenso país tem: amigos, comida, beleza natural, animação das pessoas, poder beber cerveja em qquer lugar, futebol... A segunda, por outro lado, é que você vê como ele ainda podia ficar melhor: menos roubalheira (sim, aqui tem político corrupto sim, mas eles fazem um pouco para a população antes de meterem a mão), uma saúde mais descente, educação no trânsito e das pessoas, etc.
Estou completamente amedrontado com o meu projeto de doutorado pra quando eu chegar ai. O que eu tinha proposto no começo não vai ser facil de se cumprir. Tenho muita coisa pra fazer num intervalo de tempo relativamente curto e com um orçamento um tanto quanto apertado. Mas como sou brasileiro, e tenho uma orientadora bastante sensata, tenho certeza que vamos dar um "jeitinho" e conseguir resolver as pendengas desse projeto.
Mas vamos parar de lamentar! A Copa do Mundo começou. Na verdade, hoje começou a segunda rodada da competição. E que coisa linda é ver futebol pela manhã todo dia. Tudo bem que não temos visto belos jogos até agora, mas só de assistir as peladas já fico feliz.
Eu montei um esquema no laboratório que assisto os jogos pelo computador enquanto faço o meu trabalho. Infelizmente, ando tão concentrado no que eu tô fazendo que não dá pra prestar muita atenção nos jogos. Mas mesmo assim é legal poder ver a Copa do Mundo de novo.
Ontem (terça) juntamos um monte de brasileiros num bar que tem aqui perto da universidade para assistir o jogo. Devia ter mais ou menos umas 50 pessoas. Apesar de o jogo não ter sido tão empolgante, foi legal ver todo mundo gritando pela nossa seleção. Teve samba e palavrões. Pra ficar mais autêntico, só faltou uma Skolzinha gelada. Mas não seria possível beber tb, pq eu tinha uma reunião logo em seguida. Quando eu voltei pro laboratório (o jogo aqui foi de 12:30 até 2:30) todo mundo ficou me perguntando como o Brasil tinha se saído. A resposta foi: "como no rumo natural das coisas, nós ganhamos! Mas não foi fácil! hehehe"
E eu espero que mesmo capenga como essa seleção tá, eles consigam passar pras quartas-de-final, pois eu chego exatamente entre os jogos da oitava e das quartas e quero muito poder assistir pelo menos um jogo na mais autêntica maneira brasileira! Bebendo cerveja e xingando o Dunga!
Vamo Brasil!!!
Falta pouco agora!!!
Victor (venezuelano), Diana (paulista meu), Emilio (é do Brasil-sil-sil!) e Mireyzita del Nascimiento (Mexico) torcendo para a nossa seleção.sábado, 12 de junho de 2010
Twitter blog #2
Gente! Foi mal a demora, mas ando meio ocupado por aqui.
No mesmo esquema de uns textos atrás, vamos a notícias curtinhas sobre o que se passa por aqui nas últimas semanas!
#Trabalho
A rotina de ir ao laboratório não diminuiu. Nesses últimos meses tenho ido ao laboratório (onde estou nesse momento) todo sábado e domingo, faça chuva ou sol, tenha pelada ou não... Muita ralação nessas últimas semanas. Mas pelo menos o trabalha está dando frutos. Com os resultados que obtive aqui, foi possível enviar um resumo pro congresso que vai ter em setembro e estamos conseguindo alcançar resultados interessantes para um futuro artigo. Falando em artigo, um que eu escrevi a algum tempo foi aceito para publicação em uma revista científica internacional. Agora eu tenho que trabalhar ainda mais para deixar ele do jeito que o editor pediu... faz parte dessa vida de cientista.
#Rotina
E por aqui a vida segue sua rotina. Saio cedo pro lab, chego em casa e ligo pra Fê. Depois dou uma estudada ou assisto uns seriados. Nessa última semana eu acabei de ler um livro muito legal (aquele que eu comprei logo que cheguei aqui com uma vendedora que era igualzinha a tia Glória). O livro se chama "The girl with the dragon tatoo" e é muito bom. Não sei se já adaptaram para o português, mas é muito muito bom! Enfim, depois eu durmo e já acordo pra trabalhar no dia seguinte. Rotina. Nos fins de semana geralmente a gente toma uma cerveja por aqui, fala um monte de bobagem e vai pra casa descansar...
#Ta dificil dormir
Tá escurecendo lá pras 11 da noite. Aí como que dorme? Você sai pra ir prum bar com os amigos e tá claro. Quando você sai do cinema, lá pelas 10, parece que ainda são 5 e 30. Ainda junta com a ansiedade da volta... Já viu né? Sono pra quê? hehehe
#O fim se aproxima
E nessas duas últimas semanas o que tem marcado a minha vida é pensar na volta para o Brasil. Pensando no que eu vou fazer quando eu chegar ai, nas coisas boas que vou encontrar e poder voltar a ter a minha vida normal. Mas ao mesmo tempo, as coisas que tenho por aqui estão perto de chegar ao fim. Meu apartamentinho (que desde que o chinês mudou é meu mesmo!), meus poucos pertences (que já estão doados só falta entregar), meus amigos e o meu árduo trabalho vão ficar por aqui. Mas não com tristeza: com saudade. Saudade é uma coisa engraçada. Essa bosta desse sentimento vai e vem. No começo você sente saudade de casa. Depois você se acostuma. Mas hora ou outra ele aparece de novo. E agora no fim, vou matar uma saudade, pra criar outra... hehehe... Mas não tem problema. Sinal de que está sendo bom. Mas com o fim se aproximando, você começa a fazer coisas que ainda não havia feito, pois está sempre deixando pra depois. Então nessas últimas semanas eu comi o famoso "hambúrguer de cordeiro com queijo de cabra", fui na biblioteca maravilhosa da universidade, conheci o centro comunitário do prédio que eu moro e mais outras coisas que eu não me lembro... :)
#Copa do Mundo
Aqui no Canadá, as vezes parece que não tem copa do mundo rolando. As pessoas não parecem ligar muito. Não parecem. Ontem eu vi o primeiro jogo em um bar com um monte de mexicanos. Estamos combinando de assistir aos jogos do Brasil no mesmo lugar. Tem um canal de tv aqui que está passando todos os jogos. E quando alguém pergunta de onde eu sou e a resposta é Brasil, a primeira pergunta que se faz é "E a Copa? Vocês vão ganhar?" Por isso, mesmo que não seja tão demonstrado, a Copa do Mundo vagarosamente se mostra um evento esportivo com algum impacto no Canadá. Até porque, como falei antes, isso aqui é uma terra de muitas culturas.
Enfim, a volta está chegando. Não vejo a hora de comer uma deliciosa feijoada, dormir com minha pequenininha e poder falar besteiras com meus amigos.
O duro vai ser assistir o restante da copa com a narração do Galvão Bueno... se bem que o inglês com o ovo na boca que narra o jogo aqui consegue ser pior que ele.
beijos e abraços...
tá chegando!
domingo, 30 de maio de 2010
E pra não dizer que eu não falei das flores...
Quando o inverno acabou oficialmente e a neve começou a derreter, um sentimento estranho tomou conta de mim. "Poxa, não sei quando eu vou ver neve de novo..." E eu realmente não sabia. Não sabia que ainda iria ver algumas vezes por aqui - como aconteceu ontem (mas eu já falo sobre isso). Acontece que aquela estranha sensação foi rebatida por uma bela frase da minha amiga Juliana Bahia: "Agora você vai acompanhar uma maravilhosa transformação!".
Isso porque depois do inverno sempre tem a primavera. E se pra nós que vivemos numa região tropical a primavera já é bonita, pras pessoas que vivem num lugar onde de novembro a março a paisagem é toda branca, a chegada da primavera é um evento aguardado e muito comemorado. Vocês podem até achar estranho eu falar da primavera agora (de novo) quando o verão está se aproximando.
Não sei se é o aquecimento global e as mudanças climáticas que estão ocorrendo no mundo, mas acontece que Edmonton é uma das cidades que tem o clima mais louco que eu já vi. Aqui é uma das primeiras cidades do Canadá a nevar e uma das últimas a parar de nevar. Mesmo com a primavera a cidade fica "verdinha" ao invés do verde visto em muitas outras cidades, como por exemplo Vancouver. Mas depois que eu voltei de lá (Vancouver) eu tive uma grata surpresa! Todas as árvores estavam floridas. Muitas cores diferentes e inclusive tulipas (especialmente fotografadas para a Fernandinha) pelos jardins da universidade. Por todo o lado é possível ver gramados verdes e sorriso no rosto das pessoas. Até os coelhos - figurinhas carimbadas no campus - estão mais felizes e saltitantes com as suas pelagens amarronzadas.
Esse atraso para aparecerem as flores pode ser explicado porque a província de Alberta, onde fica Edmonton, é considerada quase um deserto. À nossa esquerda são encontradas as montanhas rochosas que barram os ventos que trazem as nuvens carregadas de chuva do oceano. Por isso, enquanto aqui a maioria dos dias são frios mas ensolarados, em Vancouver os dias são mais quentes mas chove pra caramba (como vocês podem ver a duas publicações atrás).
Agora, não tem explicação nevar nos dias 29-30 de maio, quando o verão está logo ali... Depois de uma semana que fez 30 graus... hehehe...
Até mais!





Eu ja já posto as fotos das tulipas... eu juro! Tenho que pegar na máquina.
As prometidas tulipas:

Abraços e beijos pra todos.
terça-feira, 25 de maio de 2010
Um parêntese
Voltemos ao fim de outubro, início de novembro de 2007. O São Paulo acabava de ser pentacampeão brasileiro. Se já não bastasse tanta emoção, eu me encontrava em Brasília para o aniversário de 50 anos do meu pai. A promessa de um festão não podia se encontrar em momento melhor. Passei um fim de semana na casa da minha grande avó Maria. Além de sair umas duas vezes com os primos.
O aniversário do meu pai foi uma festa inesquecível. Cada um vestindo a camisa do seu time. E quão orgulhoso eu não estava de sustentar aquela bela camisa do tricolor do Morumbi? E quão orgulhoso eu não estava de ver meu paizão completar 50 anos? Até os parabéns, eu estava bem. Tinha tomado uma ou duas cervejas e tava tranquilo. Mas ai depois de cantar os parabéns, a Titi leu um texto maravilhoso em homenagem ao nosso pai. Ela pediu pra eu ficar por perto pra ajudar ela caso ela não conseguisse ler tudo. Mas coitada! Ficou sem qualquer ajuda possível, pois assim que ela começou a ler eu comecei a chorar. E como chorei. Achava que não ia parar nunca. Depois que ela acabou de ler a família toda se abraçou. E sem dúvidas aquela é uma das cenas que mais está marcada na minha cabeça.
Depois dessa choradeira toda, vem a história engraçada. Eu fui pra beira do bar e comecei a beber. E não foi beber cerveja não. Foi beber pinga. Pinga "made in" Santa Cruz do Escalvado - MG. E eu não faço ideia de quantas pingas eu tomei. Só sei que cada tio, primo, cunhado que passava por perto eu chamava pra tomar uma. E naquele mar de camisas atleticanas e cruzeirenses me lembro de uma camisa preta do galo. E dentre aquele monte de tios que tomaram uma comigo, tinha sempre uma presença marcada. Tio Ayrton. Um cara super gente fina que sempre que eu me lembro dele, me lembro como uma pessoa pra cima. Um dos melhores contadores de piada que eu me recordo. hahaha... lembro dele contando a piada do português chamando o elevador que ele deve ter me contado quando eu tinha uns 6, 7 anos... Lembro no dia em que eu terminei de ler o meu primeiro livro: "o pequeno príncipe" na casa dele. Com vergonha pq eu tava chorando sai do meio da festa e fui parar no carro do meu pai... hehehe... também não devia ter mais que 7 anos. Mas eu também me lembro de quando o papai morou nos fundos da casa dele. Foi quando o time de volei do Brasil ganhou as olimpiadas de 1992. Eita que lá vai tempo. Voltando a festa, tio Ayrton foi um dos caras que mais tomou daquela marvada comigo. E como sorria e falava besteira. Como sacaneava meus outros tios e meus primos... Só sei que no final eu tomei o maior porre que já tive em toda a minha vida e que no dia seguinte eu tive a maior ressaca já registrada no mundo (podem conferir tá no Guiness book de 2008... hahaha).
Mas de toda essa história, hoje 25 de maio de 2010, o que me vem a cabeça é aquele grande sujeito chamado Ayrton. Foi a última vez que eu vi esse meu tio. E infelizmente não terei chance de ver esse camarada novamente. Hoje infelizmente ele ganhou o descanso merecido. Depois de lutar por alguns anos contra diversos contratempos ele faleceu e foi se juntar aos meus avôs e tantas outras boas pessoas lá no andar de cima. Pra mim ficou a lembraça daquela última vez que nos vimos. E tenho certeza que é assim que a maioria das pessoas que conheciam e amavam esse homem de jeito simples e brincalhão vai lembrar dele.
E é essa a homenagem que eu queria prestar a ele. Que os meus poucos leitores façam uma prece ou mandem pensamentos positivos para a família dele e toda essa grande família Lana. Não tive tempo de dizer adeus, mas como um amigo meu falou no facebook, o importante é o amor compartilhado que tivemos durante a vida. E isso sem dúvidas aconteceu.
Vai em paz tio.
Você vai fazer falta por aqui.
Agora a saudade aumenta ainda mais!
Te amo! Assim como amo a todas as pessoas das minhas enormes familias e aos meus grandes amigos.


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Em breve voltaremos com a programação normal.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Vancouver, BC, Canada
Por que Vancouver é tão bonito? Porque ela lembra o Rio.
Ela lembra o Rio porque é um lugar que tem o mar de um lado e a montanha do outro. É um lugar onde você ainda observa muito verde. É um lugar onde as pessoas estão andando na rua o tempo todo. Uma cidade viva e feliz. As praias não são tão maravilhosas. A areia é escura e é só uma pequena faixa e a água é provavelmente poluída e, com certeza, gelada. Mas dizem que no verão as pessoas ficam sentadas na areia e algumas até arriscam uma nadada ou outra.
O centro da cidade é lindo. O hostel onde eu fiquei fica numa ruazinha pequena e cheia de casas estilo anos 40-50. Muitas das casas possuem um jardinzinho todo florido (Deus salve a primavera!!!). As ruas são largas e com calçadas bem amplas, como se você estivesse andando em Ipanema ou Leblon. Muitos prédios novos com uma arquitetura bem bonita e muitos prédios antigos com arquitetura clássica.
Andando pelo centro eu visitei o estádio do time de hockey de lá e passei em frente ao estádio onde foi a final do hockey nas olimpíadas. Por toda a cidade é possível avistar o monte Whistler, onde ocorreram as provas de eski. Mesmo com a cidade toda florida e com um belo brilho solar, o topo da montanha continua congelado. Um belo visual.
E imaginem o Rio de Janeiro com um sistema de transporte fantástico, onde os ônibus possuem conexão uns com os outros, as barcas saem com frequência e são super arrumadas, o metrô possui 4 linhas que se espalham pela cidade e levam até o aeroporto. Imaginem se no centro da cidade todos os tipos de transporte se encontrassem e fantasticamente os ônibus não soltassem uma poluição sequer (eles são elétricos). Imaginem o Rio sem violência, com as ruas limpas e sem avistar nenhuma favela? Mas não precisa tirar os mendigos e os pedintes não. Como toda cidade grande, Vancouver está cheio deles. Fiquei espantando, diga-se de passagem. Outro ponto que se assemelha bastante ao Rio é quantidade de sinais. Impressionante!!!
E uma vez nessa bela cidade eu fiz dois passeios turísticos. Na segunda-feira eu visitei uma ponte suspensa chamada Capilano Suspended Bridge. Foi quando eu andei de barca, pois essa atração turística fica do outro lado da baía. O lugar é lindo. A atração principal é atravessar uma ponte suspensa (daquelas de filme do Indiana Jones) de um lado ao outro de um canyon. A história da ponte é bem burguesa: uma família queria caçar do outro lado do rio, mas era muito difícil chegar lá. Como eles tinham dinheiro, construíram a maior ponte suspensa da costa oeste norte-americana. Depois deles caçarem bastante do outro lado, resolveram fazer daquilo um turismo. Começaram cobrando 10 centavos por cada pessoa que quisesse atravessar a ponte. Em 100 anos a inflação foi fantástica. Para entrar em Capilano tive que deixar 30 dólares na portaria... mas valeu a pena. Além da ponte, esse lugar é um parque que possui uma floresta bem preservada, completamente diferente da mata atlântica a que estou acostumado. As árvores são todas muito organizadas - tudo muito de primeiro mundo... hehehe... Deu pra tirar muitas fotos bonitas... (vejam no link que eu coloquei no fim do texto).
De tarde eu caminhei pelo centro da cidade e literalmente me perdi por lá. Fui parar numa Chinatown, depois caminhei até o lado oposto ao meu hostel, depois subi uma avenida gigantesca... enfim... depois de muito caminhar, encontrei o hostel e fui tomar um banho e botar a conversa em dia com a Fê. Depois de falar com ela, subi pro quarto e falei com um cara que tava quase dormindo. Ele era alemão (Nick) e a gente combinou de tomar uma cerveja. O cara é muito gente fina. Trabalhou no Canadá por 10 meses e estava finalmente voltando pra Alemanha. Conversamos bastante sobre a simplicidade da vida e sobre viagens. E conversamos sobre diários e como deixar a nossa impressão dos lugares que conhecemos, das pessoas que encontramos e das coisas que vivemos durante essas aventuras. Ele contou sobre o pai dele que vivia viajando de moto quando era mais novo e passou por várias experiências pela África. E os diários dele são o tesouro dele. E eu e ele ficamos desapontados com nós mesmos, pois estamos passando por uma super experiência e não estamos registrando em diários. Assim como eu, ele mantém um blog, mas não escreveu uma linha sequer em um diário. E ai, como resolução - depois de algumas cervejas, acreditem esse cara bebe muito! - nós decidimos que vamos escrever nos nossos diários..... heehhehe PODE APOSTAR TITI! Na manhã seguinte eu conversei com um senhor que estava no mesmo quarto que a gente. Ele já tem sem dúvida mais de 80 anos. Veio da Austrália para viajar de trem de Vancouver até Winnipeg. Uma viagem de mais de quatro dias. Mas ele estava muito animado pra isso. Parecia uma criança. Conversamos sobre futebol e ele falou que o Brasil ia ser campeão esse ano! Espero que a sabedoria desse senhor seja refletida nos pés daqueles que honrarão a camisa canarinho.
E na terça eu fui caminhar pelo Stanley Park. Por mais incrível que pareça, chuveu toda a manhã em "Rain"couver (Vancouver é uma das cidades que mais chove no Canadá, por isso leia a frase anterior com sarcasmo na entonação). Eu caminhei uns 5 ou 6 km no parque embaixo de chuva. Mas mesmo com muita chuva o parque é muito bonito. Em toda a orla (ele é uma "península" que entra mar a dentro) é possível encontrar bancos de praça dedicados a alguma pessoa falecida. E geralmente com alguma frase bem legal. Tipo "Não reclame da chuva. Pense em todos os pingos que estão errando você!", "Minha mãe adorava sentar aqui e admirar a bela paisagem de Vancouver"... Bela maneira de se fazer uma homenagem às pessoas que amaram aquele lugar. Agora eu imagino se fossem homenagear todo mundo que ama sentar naqueles banquinhos no calçadão de Copacabana... hehehe....
E depois de muito caminhar na chuva eu cheguei ao Aquário de Vancouver. Após deixar 28 dólares na recepção, eu entrei num mundo espetacular. O aquário, como todos deveriam ser, possui uma super estrutura. São diversos setores mostrando os mais diversos ecossistemas. Todos os tanques são enormes, permitindo aos organismos uma vida um tanto quanto confortável. Tem uma sessão da Amazônia onde um gigantesco pirarucu vive. Também tem um tanque onde tem tartarugas-marinhas e tubarões. Mas o que eu mais gosto e o que eu mais prestei atenção foram os invertebrados. Milhares de anêmonas dos mais diferentes tipos e tamanhos. Caranguejos, ostras e estrelas das mais variadas formas e cores. E o momento "fofuxo" foi quando eu vi os golfinhos, focas e quatro belugas ("baleias" brancas). Tudo muito organizado e passível de se gastar o dia inteiro. Mas eu tive que sair de lá.
Saí do aquário por volta das três da tarde e caminhei até o centro. Olhando no mapa pra não me perder de novo, consegui achar um McDonalds pra almoçar (acreditem, foi a terceira vez que eu comi no McDonalds desde que eu cheguei aqui). E quando eu estava na fila, vi um cara com a camisa do Cruzeiro. Como o São Paulo estava pra ganhar do Cruzeiro no dia seguinte, eu perguntei pro cara se ele achava que o Cruzeiro ia conseguir virar o placar. Aí a gente começou a conversar e passamos a tarde caminhando pelo centro da cidade de novo. Não me cansei de fazer isso... hahehehe... Daniel veio de Ouro Preto pra estudar inglês em Vancouver. E pelo que conversamos ele está aproveitando bastante. Quando deu umas 5 e pouca eu voltei no hostel e peguei minhas malas e fui caminhando até a estação do metro pra pegar o trem e ir pro aeroporto. A essa hora o sol já brilhava e tive até que pegar meus óculos-escuros. Ironias do destino...
E finalmente peguei o avião que decolou as 9 da noite com um belo por-do-sol e me trouxe de volta para a pacata cidade de Edmonton. Uma cidade pequena, planejada e plana. Mas que com a primavera está toda florida. Mas mesmo sendo primavera e depois de uma semana que chegou a ter dias com 30 graus, sexta e sábado chuveu e caiu um pouquinho de neve. :)
As "férias" de dois dias acabaram e desde lá eu venho trabalhando. Fui todos os dias no laboratório (incluindo sábado, domingo e hoje - que é um feriado aqui) e provavelmente vou fazer o mesmo até o dia 30 de junho, quando a minha aventura no Canadá acaba. Já é possível ver a luz no fim do túnel e já é possível sentir uma mistura bem esquisita de sentimentos.
Mas, viajar é bom demais! Essa é a conclusão que se tira nessa vida.
Espero que tenham tido paciência de ler esse grande texto!!!
NÃO DEIXEM DE VER AS FOTOS NO LINK ABAIXO!!!
Veja as fotos que eu coloquei no Facebook acessando esse site aqui: http://www.facebook.com/album.php?aid=13947&id=100000363636335&l=d1b71da916
domingo, 16 de maio de 2010
Mais de Bamfield e chegada a Vancouver
Definitivamente, preciso ficar perto da água para ter uma vida boa!
Os últimos dias foram de trabalho intenso tb, mas um pouco mais leve. Depois do lago Frederick, eu visitei uma cachoeira chamada "Sarita". Como tava um solzinho e todo mundo ficou colocando uma pilha, resolvi experimentar a água. Péssima escolha. Se cachoeira geralmente é gelada, imagina uma cachoeira no Canadá? A água vem direto de glaciais lá em cima das montanhas e mesmo com todo o sol, quando eu coloquei o peito dentro d'água, mal consegui respirar! GELADA!!! Muitos vão se perguntar pq diabos eu decidi entrar na água. Eu explico! Estava sentado nas pedras junto com a mãe de uma professora amiga da Sally (a senhora deve ter uns 75 anos e encarou uma trilha que muita gente não teria coragem). Ai eu perguntei pra ela se eu deveria entrar ou não. Ela me deu uma resposta muito boa: "Pode ser que você não volte aqui nunca mais!" Aí eu não pensei duas vezes... em 30 segundos eu tava arrependido do meu ataque de "machesa".
No outro dia a Sally simplesmente me expulsou do laboratório. Ela queria que o ambiente ficasse quieto e mandou eu ir passear. Literalmente! Então eu tive que pegar um barco a remo (row boat) para cruzar o braço de água que separa a estação de pesquisa de uma ilha para poder visitar uma praia chamada Brady´s beach. Depois de apanhar muito dos remos, eu consegui colocar o barco no rumo certo e fiz a mais longa travessia jamais registrada na história da estação científica! Mas não me importo! Foi legal de qualquer jeito! Ai depois de uns 30 min de caminhada cheguei a praia. Uma autêntica praia do Pacífico! Só coloquei os pés e provei a água. Salgada como em todas as praias que eu já estive. Um belo visual diga-se de passagem, mas confesso que já estive em praias mais bonitas!!!
E hoje (domingo) de manhã deixamos a estação de pesquisa pra vir para Vancouver. A Sally vai participar de um congresso aqui, enquanto eu vou passear e curtir um pouco dessa bela cidade. A viagem pra Vancouver foi tão ou mais longa quanto a ida pra Bamfield. Acontece que Bamfield fica em uma ilha (a mesma que Victoria, onde eu pousei terça passada) Vancouver Island, pra chegar de volta no continente de carro você tem que pegar uma balsa (ferry). Chegamos a tempo para pegar a balsa das 5. Aí esperamos uma hora mais ou menos e ai a fila começou a andar. Adivinhem? Fomos o primeiro carro a não entrar na balsa! Legal não? Mas tudo bem. Pegamos a balsa das 7, e foi possível ver um belo por do sol. Aliás, bela viagem!
Agora estou num hostel em Vancouver. Acabei de fazer um lanche e amanhã vai ser turismo puro. Eu tenho que fazer um plano pra saber o q q eu vou fazer ao certo, mas vou deixar isso pra amanhã de manhã. Agora vou encarar um quarto coletivo pra dormir.
Beijos e abraços pra todos!
Emilio
A estação de Bamfield
Emílio em Brady's beach
Outra foto da bela Brady's Beach
Sarita's fall.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Bamfiel, BC, Canadá
E essa semana eu estou escrevendo de um lugar diferente. Acontece que a minha orientadora aqui me convidou para fazer uma viagem de campo em uma estação de pesquisa na costa Oeste do Canadá.
Então terça-feira passada eu sai de Edmonton cedinho, peguei um avião que pode ser classificado como um "voo Gol" e pousei no aeroporto de uma cidade bem charmosa chamada Victoria. No aeroporto a Sally (minha orientadora) me encontrou e entramos no carro pra uma longa viagem. A estrada tem umas vistas espetáculares, inclusive belíssimas árvores com mais de 800 anos de vida. Passamos por umas duas cidades um pouquinho maiores, onde compramos nitrogênio líquido para congelar as esponjas e "víveres" para a sobrevivência dos humanos, e depois uma estrada de terra batida com cascalho que não deve nada à estrada da fazenda em Valença. Depois de 5 horas de viagem de carro, chegamos a uma estação de pesquisa muito legal.
A primeira impressão foi bastante boa, já que de cara você vê o mar. Ah... depois de quatro meses é bom ver água pra caramba de novo. rs... Aí a Sally me levou para conhecer a estação: laboratórios, salas de aula, centro de convivência, biblioteca... colocamos nossas coisas no lab e viemos para o nosso alojamento. Uma charmosa casinha toda feita de madeira. Bastante aconchegante e com um colchão de verdade!!! :)
Ai na quarta de manhã a gente desceu até as docas, coletamos algumas esponjas (sem mergulhar, acreditem a água é muito gelada!) e fomos pro lab onde passei o dia todo limpando e fixando esponjas. De noite a Sally fez um jantar pra gente e ficamos conversando um pouco. Depois vim pro quarto e fui dormir.
Hoje o dia foi a mesma rotinha de limpar e fixar esponjas, mas de tarde eu fui num lago sensacional, onde a Sally mergulhou e coletou esponjas. O lugar é muito bonito e a água nem estava gelada assim.
Vou colocar algumas fotos pra vocês verem (clica nelas pra ver a foto maior!)....
Do avião foi possível ver as montanhas rochosas (rockies). Provavelmente as mais pro fundo da imagem são nos steites.
Vista da baía de Victoria já na estrada para Bamfield.
Canadian landscape. Ignorem o banco, vejam a bandeirinha e a montanha cheia de neve ao norte.
Vista da porta do laboratório.
O turista no lago.

O lago Friederick.
O bangalô onde estamos abrigado.

O lab onde ficamos.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Em Edmonton, você tem que se permitir
Última semana que passou foi boa. Apesar de algumas coisas chatas terem acontecido, no geral foi bom. No laboratório as coisas estão se encaminhando bem e a relação com a minha orientadora daqui está cada vez mais legal. Ela é uma ótima pessoa que parece depositar uma ótima confiança em mim.
Esse fim de semana eu fui ao zoológico de Edmonton, um lugar bem fraquinho quando comparado aos zoológicos de Brasilia e Rio (os que eu me recordo de ter ido). Os animais não são muito diversos, mas existem algumas belas corujas. Fui esperando encontrar ursos, mas não havia um sequer... Foi legal porque fui com duas pessoas do lab (Jackson e Emily), já que eu não fiz muita coisa aqui com eles.
Mas o título desse post é essencialmente pro que eu acabei de fazer. Antes de eu vir pra cá, minha sobrinha Paulinha pediu pra que eu fizesse um boneco de neve pra ela. E como vocês devem lembrar, toda a neve foi embora e a chance de se fazer um boneco com ela, foi junto (como escrevi em alguns posts atrás). Mas a natureza está mudada e o tempo cada vez mais maluco, e eis que em plena primavera (depois de ter feito 24 graus positivos) o tempo vira e quando eu acordo no dia 4 de maio vejo pela janela uma grande quantidade de neve. Nevou muito o dia inteiro e com isso neve branquinha e fofinha se acumulou por todo o campus. Quando eu sai do laboratório em direção a minha casa eu fiz a minha primeira bola de neve e taquei em uma árvore. hehehe..
Ai pensei que era a oportunidade PERFEITA pra fazer o boneco de neve.
Vim pra casa, falei com a Fernandinha, conversei com uns amigos e meio que desanimei. Pensei "que mané boneco de neve... deixa... depois eu faço..." Ai fui tomar banho pra dormir... e no banho pensei: "a natureza tá me dando mais uma oportunidade pra fazer uma coisa que todo mundo faz quando visita a neve. Você vai deixar a preguiça e a vergonha te vencerem?"
Sai do banho, peguei minha jaqueta, um óculos escuro, cachecol, boné e minhas luvas e fui pra baixo do prédio. Caminhei um pouquinho, encontrei um lugar que me pareceu perfeito e o resultado vc confere abaixo...
terça-feira, 27 de abril de 2010
Twitter blog
Tô devendo né? Acontece que eu nunca fui bom em manter essas rotinas e por isso é que meus outros dois blogs fracassaram. Mas aqui é um lugar que eu tenho que manter a rotina e escrever sobre as coisas que estão acontecendo aqui em Edmontão boladão. Então, a melhor maneira é escrever de forma sucinta. Tipo um microblog, ou melhor, um twitter blog.
Então de forma resumida vou falar do que que tá pegando por aqui...
#Trabalho
Muito trabalho nessas últimas duas semanas. Muita biologia molecular nesses últimos dias. Alguns resultados positivos, outros negativos, mas tá andando. O que importa é que eu tô aprendendo. Último dia 16 eu fiz uma apresentação do meu trabalho no mestrado pro pessoal do laboratório e eles disseram que gostaram. Não sei se foi educação ou se eles realmente gostaram. Vou ficar com a segunda opção porque é melhor pra mim. O complicado tá sendo ir trabalhar todo sábado e domingo a umas 3 ou 4 semanas... mas eu tô aqui pra isso.
#Futebol
Domingo retrasado eu joguei uma pelada autenticamente brasileira. De cada lado do gramado tinha uns 6 brasileiros e completando a pelada, 2 canadenses. Pra completar jogamos time com camisa e sem camisa. Fazia um belo sol e 24 graus.
#Primavera
Falando em sol, ele apareceu pra valer nas últimas duas semanas. E há uma transformação sensacional na cidade. Apesar das árvores e plantas ainda estarem se transformando - ganhando novas folhas, flores e ficando verdinhas - a população já mudou completamente. As pessoas mudaram os seus figurinos e tá todo mundo andando de bermuda e camiseta. E é fácil ver as pessoas sentadas nos gramados conversando ou estudando, quarando num sol bem gostoso como a gente fazia nos velhos tempos de escola em Teresópolis. Mas a noite esfria. Falando em noite, isso é uma das coisas mais bizarras que acontece por aqui, pois...
#Dia-Noite/Verão-Inverno
Se quando eu cheguei aqui o dia clareava lá pelas 9h da manhã, agora é o contrário. 6h já está claríssimo e só vai escurecer lá pras 9h da noite. E cada dia escurece mais tarde. Pra quem não usa relógio (que é o meu caso já que o meu quebrou) é muito esquisito, pois você olha pela janela e acha que são 6h no máximo, mas já são quase 9...
#Despedidas
E a galera segue voltando pra casa. Ontem foi a outra Sandra (polonesa) que se despediu da gente. Amanhã vai o Diego (espanhol), sexta meu roommate parte pra China. Daqui a duas semanas a Thaís (carioca) volta pra terra brasilis.... e assim vamos vivendo. De despedidas que apertam o coração... Mas faz parte da vida!
Bom, deixa eu voltar pro trabalho.
Vou tentar voltar a ser mais assíduo, mas pra isso preciso da colaboração d'ocês.
Abraços e beijos.
Emilio
terça-feira, 13 de abril de 2010
Dia estranho...
Depois do tópico "saudades" voltar a tona no último post, agora quem tá de volta é o tema "estranho".
Juro que quando sai de casa hoje de manhã eu já tinha o título e o texto todo em minha cabeça pra escrever aqui. Mas os fatos que sucederam essa manhã me fizeram mudar completamente o tema do post. Explico-me:
O tema que pensei era sobre os alarmes de incêndio. Vamos chegar lá.
Aqui na Universidade, assim como em todo o Canadá, eles possuem uma grande preocupação com incêndio. Aquele texto antigo que eu escrevi sobre as portas tem a ver com isso. Essas portas são para cortar o fogo no caso de incêndio. Detectores de fumaça, sprinkles de água, mangueiras, extintores... você encontra isso a cada 20m em qualquer prédio da cidade. E quando um detector desse encontra uma fumacinha preta ele começa a berrar... aí todo mundo é obrigado a sair calmamente do seu lugar e seguir para fora do prédio e esperar o corpo de bombeiros chegar (bastante rápido), checar o fogo e liberar a população para voltar para o seu trabalho/casa.
Logo que me mudei para o HUB o alarme de incêndio soou durante uma madrugada. Eu acordei, acordei o meu roommate e nós descemos para esperar os bombeiros... um frio danado... Não demorou 5 minutos e eles liberaram o acesso ao prédio de novo. Algum tempo depois, estava conversando com a Fernandinha na internet quando o alarme soou novamente, eu sai, fui até a janela de casa e não vi movimento algum, voltei pro pc, falei um pouco mais com a Fê e quando eu tava saindo de casa o alarme parou de tocar (tudo isso em menos de 2 minutos). Ai hoje de manhã eu acordei com o barulho da sirene de novo. Na verdade eu já tava acordado e fazendo hora pra ir pro lab, meio que querendo ficar em casa trabalhando no pc... eu fui pra janela, olhei e não tinha nenhum movimento. Ai fui no banheiro, escovei os dentes e voltei pra janela. Nada. Todo mundo agindo como se nada estivesse acontencendo. Ai já tava acordado e desperto mesmo, resolvi ir pro lab. Foi quando eu percebi que todas as lojas aqui debaixo estavam fechando... ai chamei o Randi e descemos as escadas. Eu nem quis saber o q q tava pegando, fui direto pro lab. Passando ao lado do meu prédio vi vários carros de bombeiros e um monte de paramédicos e ainda senti um cheiro de podre.
Quando cheguei no lab, o Jackson veio me perguntar o que que tava havendo no HUB, já que a faculdade tinha mandando um monte de mensagens pelo celular, email, telefones dos laboratórios etc, dizendo que havia algum problema no HUB e que algum gás tóxico havia sido espalhado no ar. Pronto... Jackson ficou paranóico... hehehe... poor guy... ai falei pra ele que não era nada demais... bla bla blá.... mais tarde descobrimos que encontraram alguém morto dentro de um apartamento aqui do prédio e que havia esse cheiro que provavelmente era o resíduo de um gás com enxofre (H2S). Mas a universidade não revelou quem havia morrido e nem se a causa da morte tinha sido esse gás. Mais tarde eu descobri que o Randi ficou preso fora de casa por quase 3 horas, que interditaram o prédio e que as pessoas não podiam entrar nem sair. Só depois dos bombeiros checarem tudo certinho o prédio foi liberado. Quando eu voltei pra casa a noite já estava "tudo nos conformes"...
O negócio foi até notícia no jornal da cidade: http://www.edmontonjournal.com/news/Chemical+scare+over/2901633/story.html
Mas fiquem tranquilo que nada aconteceu comigo. O problema é que com o alarme tocando toda hora e acontecendo nada, você começa a relaxar com a situação. É a velha histório do Pedro e o lobo... da próxima vez eu vou sair logo que ouvir o barulho ensurdecedor!
Beijos e abraços a todos.








Mr. Mustache


