segunda-feira, 21 de junho de 2010

Sobre bisões, castores e amigos

Oi pessoal,

Em setembro do ano passado, quando saiu o resultado do meu pedido da bolsa, eu não fazia a menor idéia do que me esperava no Canadá. Não sabia se o meu trabalho ia ser bom, não sabia como ia ser o meu relacionamento com a minha chefe, não sabia se eu ia aguentar a solidão e a distância daqueles que eu amo e não tinha muita certeza se ia conseguir fazer amigos por essas bandas.

Pois bem, o título desse texto fala sobre bisões. E isso está relacionado as minhas duas primeiras indagações que povoaram a minha mente antes de partir do Brasil. O trabalho e o relacionamento com a chefe. Bom, resumidamente, o meu trabalho aqui não poderia ter sido melhor (quer dizer, poderia sim, mas são outros 500). O laboratório tem uma boa estrutura, os estudantes que dividiram ele comigo durante esses 5 meses são brilhantes e muito muito batalhadores, o trabalho fluiu num passo muito bom e no final está rendendo bons frutos. Isso tudo se deve a uma orientação muito boa de uma pessoa muito simpática e muito legal. A professora Sally Leys. E aqui está a resposta pra minha segunda indagação: como seria o relacionamento com ela. E esse sim não podia ter sido melhor. Além de ser fã dela desde criancinha (cientificamente falando), agora eu sou fã da pessoa. Ela é muito gente fina, trata todo mundo da mesma maneira, ouve, conversa e indaga sobre tudo. Ela te coloca pra cima e faz com que você se sinta motivado pra trabalhar. Mais do que tudo, ela tentou fazer a minha estadia aqui a mais confortável possível. E ela conseguiu!

E o que que isso tem a ver com bisões? Simples, sábado passado ela e o marido pegaram eu e um outro estudante internacional que tá aqui no lab (o alemão Olli) e nos levaram para um parque nacional (Elk Island Park) para ver bisões e outros animais silvestres do Canadá. Não vi um urso sequer (nem era esperado), mas vi alguns bisões e castores em um lago. E foi uma tarde muito animada, com uma trilha legal e conversas sobre todos os assuntos. Muito divertido! Depois de me levar pra patinar em um lago congelado, pra Bamfield e Vancouver, acho que eu não podia estar mais agradecido por toda a hospitalidade que ela me ofereceu aqui.

Pra responder se eu ia aguentar ficar longe das pessoas que eu amo, eu preciso responder a última indagação. Novamente a palavra amigos volta a esse blog. Se não fosse por eles eu não conseguiria ter passado por esses meses todos tão bem como eu passei. Se não fosse por eles, eu não conseguiria ter aproveitado tanto a minha estadia por aqui como eu aproveitei. Se não fosse por eles eu não teria tido tantas risadas, bons momentos e oportunidades de fazer coisas diferentes. Pois nesse fim de semana, depois do Brasil ganhar da Costa do Marfim, nós fomos jogar boliche como uma forma de "festa de despedida" para esse que vos escreve. Eramos quase dez pessoas e foi estremamente divertido. Além dos meu amigos latinos, juntaram-se a nós uma menina da Itália que eu conheci no dia, a Pam (a aluna do lab que me ensinou tudo sobre biologia molecular e que pacientemente reviu os meus péssimos alinhamentos e "primers") e a minha amiga made-in-Japan Yuki. Fizemos alguns strikes, mas na verdade o mais legal foi tomar cerveja e falar bobagem usando sapatos da Mangueira (vejam fotos abaixo!).

Mas ao mesmo tempo que os amigos me deram tantas alegrias, eles também são os responsáveis por um sentimento assustador que é a incerteza (quase certeza de que não) voltaremos a nos ver. E hoje uma página importantíssima desse livro edmontoniense foi virada. Hoje saímos pela última vez eu, Levi e o Gustavo. As chances de isso acontecer de novo nessa cidade são remotíssimas. Pelo menos somos todos brasileiros do sudeste, o que facilita a possibilidade de um encontro futuro por essas bandas aí. Depois de nos despedirmos, o Levi atravessou a rua e vendo isso acontecer uma sensação de vazio tomou conta de mim... Pelo menos o Gustavo tava do meu lado e a gente ainda tinha um bom pedaço pra caminhar...

Nessa cidade você faz amigos como se fossem irmão. A necessidade de se unir a outras pessoas é enorme e a empatia vence qualquer coisa. Digo isso porque você se apega as pessoas de uma maneira tão rápida que você se pergunta como aquilo aconteceu. Você conhece uma pessoa na sexta, aí se encontram de novo no sábado, quando então vocês começam a conversar pelo Facebook e finalmente no domingo essa pessoa já tem uma ligação fortíssima com você. Não quero dizer que a partir daí você já faz amigos para se confessar. Você cria uma ligação de bons momentos... enfim, pra mim isso é um AMIGO. E com certeza eles são as coisas mais importantes que eu estou levando de volta pro Brasil.

Faltam 9 dias!

Bisões pastando no parque.

Castores nadando no lago. Eles estão aí! Pode procurar que você acha!


Galera no Boliche! Maria, Levi, Diego, Alex e Laura. Eu e Yuki!


Mangueira-style shoes Gustavo, Diana e eu no Hudson's. Brasil e Costa do Marfim.

2 comentários:

  1. Muito bom o seu texto sobre esse testemunho dos "últimos minutos" no Canadá. Gostei mesmo e é ótimo ter essa capacidade de agregar amigos com tanta facilidade. Você venceu esse desafio edmontoniense. Parabéns, filin.

    Aguardamos sua volta.

    Abraço.

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  2. Nano, hoje eu estou super sensível, conseguir me conectar com seus sentimentos, não sei porquê!? Me deu uma vontade de sair correndo atrás de seu amigo e pedir para ficar mais um pouquinho!!!
    Acho que vivi muito pouco essa experiência de separação, muito menos definitiva... é mega estranho... Mais um ponto para a vida, nesse jogo!!!
    Beijos...
    Tá chegando....

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